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Havana, enfim…

Luiz Zanin Oricchio

05 de dezembro de 2006 | 21h39

Bom, cheguei inteiro a Havana. Para quem já enfrentou tantas outras maratonas aéreas, até que esta não é das mais pesadas – seis horas e tanto até o Panamá, uma escala, e mais duas horas e pouquinho até a capital de Cuba. De qualquer forma é cansativo, mas ao chegar ao Hotel Nacional, a primeira coisa que fiz foi deixar a bagagem no quarto e descer para dar uma voltinha nos jardins. Ah, o Hotel Nacional… Gosto é gosto, e vice-versa. Para o meu, não existe no mundo hotel mais charmoso. É uma construção dos anos 30, imponente, parece até um castelo medieval. Grandes salões, alguns dos melhores bares do mundo (e, claro, pode-se fumar à vontade, em qualquer lugar e hora, até no café da manhã). A parte interna contempla um grande jardim e ao fundo vê-se o mar do Caribe. Um dos melhores programas é sentar à noite em um dos seus varandões, respirar o ar marinho e deixar o tempo passar, enquanto se fuma um inigualável charuto local.

Depois de cinco anos, reencontro Cuba com seu encanto intacto, mais cara e com uma nova moeda para os turistas, uma tal de CUC, que vale mais que o dólar e um pouco menos que o euro. É o seguinte: sobre o dólar cobra-se um imposto de 11%, inclusive nas compras por cartão de crédito. Sobre o euro, não. Um incentivo ao uso da moeda da União Européia. Na verdade, o CUC é o mesmo “peso conversível” de antes, só que com novo apelido e imposto agregado.

Bem, depois de uma noite meio mal dormida, reencontro os amigos que não vejo há alguns anos, pois não venho aqui desde 2000. E preparo-me para uma coletiva de imprensa pois este ano estou no júri. Uma dúvida: falo em português e deixo que eles se esforcem para compreender, ou tasco o meu portunhol? Agregando depois: mandei ver no portunhol e espero nao sintonizar uma TV por descuido e ver o resultado.

Quanto ao festival em si, descubro por uma entrevista com Iván Giroud, que é o diretor do evento, que foram recebidas inscrições de 1539 filmes, de 61 países diferentes, dos quais ficaram 463 títulos (entre curtas, médias, documentários, tudo, enfim), com 105 em concurso. Descubro também que o Brasil é o país com mais filmes em Havana – nada menos que 24, entre curtas, médias, documentários, ficção, etc. Desses, alguns estão em competição; a maioria será apresentada apenas em caráter informativo.

Hoje à noite é a abertura oficial do festival, no Teatro Karl Marx (cerca de 4 mil lugares), com a exibição de O Labirinto do Fauno, do mexicano Guillermo del Toro, que já vi aí mesmo em São Paulo como sabe quem me faz o favor de acompanhar este blog. Mas hoje mesmo à tarde, antes da abertura, os filmes do festival já estarão rolando em vários cinemas da cidade. É o grande acontecimento cultural do ano, em Havana. Já nas TVs locais, o festival repercute mas se fala mais dos 80 anos de Fidel, sobre cuja saúde não se tem notícias claras. Numa das mesas redondas que vi, participou a brasileira Claudia Furiati, que escreveu uma biografia “consentida” de Fidel.

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