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Haja Fôlego

Luiz Zanin Oricchio

04 de abril de 2008 | 16h46

Fôlego é como se chama o próximo filme de Kim Ki-Duk, que deve estrear em breve. Fui vê-lo hoje cedo em sessão para a imprensa.

Gosto desse diretor coreano. Fez um sucesso de escândalo em Veneza com o radical A Ilha. Mas há um sentido de paz zen (ele é budista) em Primavera, Verão, Outono, Inverno…e Primavera. E a delicadeza (e invenção) visual em Casa Vazia. Belos filmes.

Este Fôlego também é muito interessante. Quando estrear faço uma crítica mais extensa. Mas, já a primeira impressão foi das melhores. A história é a de um condenado à morte que tenta repetidas vezes o suicídio na cela. É levado ao hospital, para que seja salvo, se recupere…e tenha uma execução decente. Escrevendo isso, lembro do magnífico Chacal de Nahueltoro, que mostra o criminoso sendo recuperado, educado, trazido de volta à civilização para que finalmente receba a pena de morte. Essa, a lógica da punição.

Mas o caminho de Fôlego é outro. O condenado tem uma ex-namorada, que agora se casou e tem uma filha. Mas ela o visita na prisão. E decora a sala de encontro com as cores de cada uma das estações do ano. E temos aqui Kim Ki-Duk de novo repetindo o ciclo natural – primavera, verão, outono…E mais não conto.

Esse cineasta, que tem fãs e detratores ,consegue escrever histórias originais. Coloca-as na tela com um sentido de aplicação muito grande. Nenhum enquadramento é gratuito. Os planos são limpos. O som, escasso. A música, quando entra, é funcional.

O rigor parece uma virtude oriental.

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