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Grandes velhos

Luiz Zanin Oricchio

15 de agosto de 2008 | 09h59

GRAMADO – Um post rapidinho (pois tenho reunião da crítica daqui a dez minutos) apenas para dizer que Juventude, de Domingos Oliveira, causou comoção em Gramado. É um filme de velhos; de velhos jovens. Ao apresentar o filme, um deles, Paulo José (em excelente forma) citou Mário Quintana: “Nem todos podem estar na flor da idade; mas todos podem estar na flor da SUA idade”. Bom, né? E os três amigos do filme – Paulo José, Domingos Oliveira, Aderbal Freire Filho – estão nesse caso. O que inclui conflitos, tristezas e eventuais mesquinharias. Onde estão as mulheres, tão presentes nos filmes de Domingos? Nesse caso, no pano de fundo. São elas que movem os homens. Um desses veteranos é casado há muito tempo com a mesma mulher, mas flerta com a idéia de ter um caso com uma jovem. Outro é um conquistador inveterado; sofre por causa da filha, viciada em heroína; o terceiro está casado com uma mulher de 21 anos e que deseja ter um filho com ele. Mas o homem, beirando os 70 anos, sente-se dividido entre atender o desejo da jovem e abandoná-la, para que ela não seja testemunha da sua decadência física. Tom teatral, boas falas, muito senso de humor e a magistral interpretação dos três atores fazem o encanto desse filme – até agora o maior sucesso do Festival de Gramado. Aplaudido em cena aberta várias vezes durante a projeção e ovacionado ao final. Alto astral.

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