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Grande Altman

Luiz Zanin Oricchio

05 de junho de 2008 | 16h33

Eu aqui, tão atulhado de trabalho, que me esqueci de indicar para vocês a mostra As Muitas Vidas de Robert Altman, no Centro Cultural Banco do Brasil. Antes tarde do que nunca e a programação completa pode ser vista aqui.

Acabei não escrevendo a matéria para o Caderno 2 porque havia feito um texto para o catálogo, justamente sobre A Última Noite (A Prairie Home Companion), filme-despedida de Altman e que acho uma pequena jóia. Mas, claro, esse diretor teve muitos e muitos pontos altos em sua carreira. Eu destaco alguns dos meus favoritos: Nashville, O Jogador, MASH, Short Cuts, para ficar com as lembranças mais imediatas.

Conheci Altman, em Veneza, quando ele estava competindo com um filme menor, e ainda assim bom, Dr. T e as Mulheres. Aliás, gosto mesmo desses filmes menores de Altman, como Kansas City e A Fortuna de Cookie. Acho que ele tem um sentido de ritmo, uma leveza, uma pulsão expressa na câmera, que transmitem intensidade e te levam para o filme. Mas essas qualidades técnicas ou estilísticas de nada valeriam se ele fosse um babaca. Por sorte, Altman era um iconoclasta, que via o mundo de maneira corrosiva e aguda – o mundo das relações humanas em Short Cuts, da província em Nashville, da guerra em Mash, da moda em Prêt-à-Porter. Esse é o sentido progressista e crítico que amo na obra de Altman.

Mas são os grandes filmes corais, de muitos personagens e histórias intercruzadas os que mais impressionam. Nashville e Short Cuts, entre todos. Este último, tirado de contos de Raymond Carver, que li depois de ter visto o filme e são ótimos mesmo.

A boa pedida nesta mostra será tentar ver também os Altman que não conhecemos. Afinal, ela é completa, integral e 33 dos filmes são em película o que, me perdoem os fãs do DVD, faz toda a diferença.

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