As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Gomorra

Luiz Zanin Oricchio

28 de setembro de 2008 | 20h31

O filme de Matteo Garrone, baseado no livro de Roberto Saviano, está na programação do Festival do Rio e representa a Itália na corrida entre os finalistas do Oscar. Pode ser o competidor de Última Parada 174, de Bruno Barreto, caso os dois filmes estejam entre os cinco que irão disputar a estatueta. São produções de temáticas aparentadas, pois ambas falam de problemas sociais e de como estes, ainda que não de maneira mecânica ou causalista, podem conduzir à criminalidade.

Em Gomorra, Matteo Garrone, cineasta de 39 anos, buscou estética desglamourizada para retratar a Máfia de Nápoles. Uma narrativa seca, suja (no bom sentido), o que, de certa forma, relativiza comparações com Cidade de Deus. Se o filme de Fernando Meirelles é levado por uma ginga, uma musicalidade e um ritmo próprio, que conquistaram grande público e, em especial, platéias jovens, Gomorra vai na direção do mais completo despojamento. O que lhe dá vigor adicional. Falado em dialeto, revela uma realidade bem distante da Itália das artes, das grifes de moda, das paisagens e da culinária. É o revés do otimismo tolo de mais uma era Berlusconi.

(Cultura, 28/9/08)