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Gol de placa do Baixinho

Luiz Zanin Oricchio

27 Março 2007 | 12h56

O “milésimo” não saiu no domingo, mas será marcado no domingo contra o Botafogo ou qualquer dia desses. Pouco importa. Na verdade, Romário já pode comemorar seu maior gol – ter transformado em suntuoso espetáculo um ocaso de trajetória que muitos previam melancólico. Lembram? Não faz muito tempo se ouvia muita gente “aconselhando” o Baixinho a encerrar a carreira o quanto antes para não se desmoralizar. Citavam exemplos de jogadores que haviam saído no auge para deixar lembrança positiva, e condenavam o grande atacante do passado que, no presente, parecia se arrastar em campo, como sombra de si mesmo.

Então o Baixinho meditou, jogou seus búzios, puxou pela memória, refez contas e concluiu que estava na reta final para o milésimo gol. E que, com os números que tinha em mãos, dava para chegar lá com a bola nos pés. Ganhou vida nova. Conseguiu estabelecer meta para a saída de cena, coroando-a com o apogeu de marca magnífica. Atraiu para si os holofotes da imprensa. E ainda colocou numa sinuca de bico a mídia, com a qual sempre se relacionou com altivez e às vezes com irreverência. Os que cobram exatidão e fazem ressalvas à inclusão de gols da fase amadora ficam com a pecha de chatos e estraga-prazeres. Os que embarcam no deslumbramento acrítico se arriscam a ser tachados de levianos.

Enfim, com essa tacada de mestre, Romário exigiu que todos nós falássemos dele, bem ou mal, e iluminássemos a reta final de carreira de fato extraordinária. Na eventualidade de um dia vir a pendurar as chuteiras, o Baixinho já encontrou o que fazer na vida: pode assumir sem sustos a diretoria de marketing de qualquer grande empresa.

SELEÇÃO

Se Dunga tiver juízo, mantém a escalação da trinca Robinho, Kaká, Ronaldinho Gaúcho no jogo contra Gana. Os três foram bem nos 4 a 0 contra o Chile e podem repetir a atuação. Afinal, o Brasil está fazendo esses amistosos por questão mercadológica, e dar show é importante para o marketing da CBF. Justifica o cachê presente e assegura os futuros. O que fica disso é que os três têm mesmo de jogar juntos, o que já se sabia desde aquela partida da Copa contra o Japão. Ou muito antes. Ouço dizer que Dunga pode experimentar Ilsinho e Kléber nas laterais. Os dois estão jogando muito bem, a meu ver melhor do que Daniel Alves e Gilberto. É maneira, também, de dar satisfação aos clubes que ficaram desfalcados dos jogadores. Ou será que atravessaram o Atlântico só para passear?

PAULISTÃO

Falando do futebol sério: o Santos disparou, o São Paulo ficou pouco atrás, o Palmeiras segue na briga e o Corinthians estacionou com o empate com o Barueri. A derrota para o São Caetano é reflexo de cansaço temporário do São Paulo ou seria sintoma de “fadiga do material”, que às vezes derruba times, homens e pontes em aparência sólidos? Vale conferir nos próximos jogos. O Santos vem jogando para o gasto, como se guardando para a hora do vamos ver, no Paulista e na Libertadores. Foram duas vitórias contra rivais fracos, o Gimnasia e o Rio Claro, e ambas na bacia das almas. Vamos ver se a estratégia de poupança de Luxemburgo funciona. O Palmeiras confirmou a evolução e o Corinthians, que vinha inflado pela empolgação, tropeçou, o que é natural, dada sua fragilidade. Camisa vale muito, mas é preciso ajudá-la.