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Giovanni Improtta

Luiz Zanin Oricchio

17 de maio de 2013 | 12h19

Há momentos de bom cinema no início de Giovanni Improtta, quando o figurão interpretado por José Wilker chega ao enterro de um parceiro. Nessa sequência algumas coisas se anunciam, tais como o capricho da filmagem, a relação irônica com a história, um senso de simetria da imagem – por exemplo quando as portas das limusines se abrem ao mesmo tempo no cemitério. E também, uma carnavalização da tradicional história do contraventor por meio de um recurso musical que convém não revelar.

Enfim, esses minutos de prazer nos fazem antever um filme que, infelizmente, acaba não vindo no restante do tempo. Do personagem emprestado à telenovela, o contraventor que deseja legalizar seus negócios, resta uma história pontuada por bons momentos isolados, mas que, no todo, não chega a ser uma comédia, como fora prometido, e tampouco alcança um aspecto crítico, como talvez fosse desejo do seu diretor e intérprete.

O fato é que o público não ri – e não se trata aqui de uma daquelas observações subjetivas, em que o crítico atribui ao público sua impressão pessoal pelo pudor de se expressar em primeira pessoa. Prova dos noves: no Cine PE, diante da generosa (e numerosa) plateia do Recife, foram ouvidas poucas risadas. E em ocasiões esporádicas.

Wilker defendeu-se dizendo que Giovanni Improtta não era comédia. Ok. Mas talvez o filme tenha ficado indeciso entre essas duas vontades, a de ser cômico e distanciado (porque crítico) ao mesmo tempo. Essa combinação é possível, mas depende de uma química toda especial entre roteiro, elenco e direção, que, neste caso, não ocorreu. Num trabalho que se destaca por aspectos isolados e não por seu todo, é lícito falar do bom elenco, Wilker à frente, mas também Andréa Beltrão e André Mattos, além da fotografia caprichada de Lauro Escorel. Não é mau filme. Mas esperávamos mais.

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