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Futebol medíocre, cinema de classe

Luiz Zanin Oricchio

04 Fevereiro 2008 | 11h16

Nem tive nem ânimo de colocar um post depois de Paulista 1 x Santos 1, tamanha a mediocridade do jogo. Como conforto, botei no aparelho de DVD Cinco Covas no Egito, de Billy Wilder, que não revia há muito tempo.

Bem, Cinco Covas é muito gostoso de ver, mas não é um grande Wilder. Foi feito durante o esforço de guerra e, portanto, evita a ironia típica do diretor. De quem, aliás, no dia anterior, havia revisto Montanha de Sete Abutres. Este sim um filmaço, mas ainda inferior à comédia sarcástica A Primeira Página (Front Page), também sobre o jornalismo em sua vertente sensacionalista.

Todo jornalista deveria ver e rever esses velhos filmes, como estímulo à meditação sobre o métier. Wilder, vale lembrar, foi jornalista antes de se dedicar ao cinema. Uma vez foi entrevistar Freud e terminou expulso do consultório do pai da psicanálise. Conta isso em suas memórias.

Enfim, Wilder amenizou um pouco esse carnaval chuvoso e cinzento. Não o suficiente para fazer esquecer esse Santos medíocre, um catado de jogadores sem qualquer padrão tático dentro de campo. Chega a dar dó da molecada, lançada assim às feras sem qualquer preparação, tentando resolver tudo sozinha e do jeito que der.

Entre outros problemas, pode-se estar queimando uma geração que, de outra forma, em clube de melhor planejamento, teria tudo para ser promissora.

Cabe lembrar aos santistas que o martírio mal começou:domingo tem São Paulo no Morumbi e, em seguida, vem a Libertadores. Com esse time, é melhor ser eliminado logo na primeira fase. Poupa sofrimento.