Frost/Nixon
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Frost/Nixon

Luiz Zanin Oricchio

05 de março de 2009 | 12h14

nixon

Foi indicado em cinco categorias do Oscar e não levou nenhuma. O que isso quer dizer? Nada. Frost/Nixon é muito bom filme, tomando um tema político e transformando-o em espetáculo. No conteúdo e na forma. Como? Contando a história dos quatro depoimentos dados pelo ex-presidente Richard Nixon ao apresentador de TV David Frost, três anos depois de Watergate. Quem eram os dois personagens antes dos depoimentos? Nixon, um político caído em desgraça, que havia sido conduzido à renúncia (para evitar o impeachment) no vendaval criado pelo caso Watergate. Frost, um apresentador de TV de sucesso, sem experiência política e levado pouco a sério por colegas acostumados a entrevistar autoridades.

Nixon precisa de dinheiro, Frost precisa de credibilidade. Eis aí onde se encontram. Frost, de maneira habilidosa, consegue levantar fundos de patrocínio para pagar o cachê exigido pela assessoria de Nixon. Mas só conseguirá vender o programa para as TVs do mundo se conseguir revelações surpreendentes, como a confissão de Nixon de sua participação na espionagem do Partido Democrata no hotel Watergate, em Washington. Assim, o encontro Frost/Nixon, transforma-se numa batalha, numa luta disputada num ringue e testemunhada pelas câmeras de TV. Como toda boa luta esta também pende ora para um dos oponentes, ora para o outro. Nixon começa dando um banho em Frost, mas este ainda tenta virar o jogo nas gravações seguintes. É um bom combate, e bem encenado no filme.

Mais que isso, um bom filme político e, para variar, adulto. Ponto para atuação de Frank Langella como Nixon. Ele em nada se parece, fisicamente, com o ex-presidente. Mas sentimo-nos diante dele, por uma entonação de voz, uma sobrancelha franzida, coisas assim. Atores…

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.