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Frieza e emoção no ‘Ciúme’ de Garrel

Luiz Zanin Oricchio

25 de novembro de 2014 | 10h45

Uma amiga postou no Facebook que não havia gostado de O Ciúme, de Philippe Garrel. Filme frio, diz ela.

A crítica é válida. Faz sentido. Garrel muitas vezes (na maior parte das vezes, de fato) parece distante, frio, elaborado, intelectual. Francês até a medula, seu cinema às vezes padece desse tom cartesiano. E que prejudica o despertar da emoção no público.

A pergunta que faço (sem ter resposta para ela) é: precisamos, necessariamente, nos sentirmos emocionados para gostarmos de um filme?

Não podemos apreciá-lo por outros motivos? A sensação de beleza, por exemplo. Ou a engenhosidade intelectual. Ou aquilo que ele pode nos ensinar sem necessidade de nos emocionar. São dúvidas.

No meu caso pessoal, sinto a emoção como essa coloração diferente, esse tônus da alma (perdão, leitores!) que parece emprestar significado muito forte àquilo que experimentamos.

Mas, digo aqui com meus botões, muitas vezes a emoção é enganadora. Por exemplo, podemos achar que uma má cena, acompanhada de ótima música, seja bom cinema. É um equívoco, claro.

Da mesma forma, a emoção buscada artificialmente, quando é chantagista, me deixa frio como bloco de gelo.

O que acham?