Francesco Rosi (1922-2015), o mestre do cinema político
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Francesco Rosi (1922-2015), o mestre do cinema político

Luiz Zanin Oricchio

11 Janeiro 2015 | 14h08

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Hoje chama-se mestre a qualquer um. Francesco Rosi, que morreu aos 92 anos, foi mesmo um mestre. E de um tipo específico de cinema, o político, talvez meio fora de moda hoje em dia.

 

Basta lembrar algumas de suas obras-primas (sim, fez várias), como Bandido Giuliano (1961), As Mãos sobre a Cidade e Caso Mattei. No primeiro, reconstitui, sem nunca mostrar o personagem principal, o assassinato de um dos bandidos mais perseguidos da Sicília. O filme influenciou muito Glauber Rocha e todas uma série de cineastas dos anos 1960. Giuliano era o que Eric Hobsbawm chamava de “bandido social”.

 

As Mãos sobre a Cidade (1963), ambientado em Nápoles, ganha o Leão de Ouro em Veneza e torna-se um clássico sobre a especulação imobiliária e seu poder corruptor. Quer tema mais atual?

 

Com O Caso Mattei vence a Palma de Ouro em 1972, debruçando-se sobre o estranho “acidente” aéreo no qual morreu o engenheiro nacionalista Mattei, que ousava enfrentar o interesse das multinacionais do petróleo.

 

Em 2013 pude acompanhar a homenagem do Festival de Veneza a Rosi. Por ocasião do cinquentenário do Leão de Ouro de As Mãos sobre a Cidade, o festival veneziano lhe outorgou um Leão especial pela carreira. Rosi disse que a fonte de todo o cinema político continuava a ser o neorrealismo italiano, o movimento do após-guerra, de forte cunho social.

 

Junto com artistas como Elio Petri e Gillo Pontecorvo, Rosi praticou um cinema de denúncia, de intervenção na sociedade, buscando flagrar, através de suas lentes, as contradições e jogos de interesse presentes na luta política.

Um cinema para adultos.

Grazie, maestro.

 

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