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Força-tarefa americana no Festival de Veneza

Luiz Zanin Oricchio

30 de julho de 2010 | 08h59

Lope, de Andrucha Waddington, fora de concurso, e o curta-metragem O Mundo É Belo. de Luiz Pretti, na mostra paralela Horizontes: a eles se resume a participação brasileira no 67º Festival de Veneza, que começa dia 1º de setembro na cidade italiana. Na mostra principal, Venezia 67, na qual os participantes concorrem ao Leão de Ouro, nada. Aliás, um único representante latino-americano está presente no concurso principal do mais antigo festival de cinema do mundo – o chileno Post Morten, de Pablo Larraín. Todo o restante é formado por norte-americanos (cinco títulos), europeus (italianos, sobretudo, com quatro concorrentes) e alguns asiáticos. A seleção de Veneza segue assim tendência esboçada nos últimos anos, sob a batuta do diretor Marco Müller.

A Mostra concentra esforços em alguns nomes conhecidos, aqueles que dão prestígio a um festival, como Sofia Coppola, filha de papa Francis Ford, que estará no Lido com seu Somewhere. Outro americano cult é Vincent Gallo, sempre promessa de polêmica e escândalo, que concorre com Promises Written in Water. Gallo é conhecido por filmes como Brownbunny, que chocou Cannes há alguns anos com uma longa cena de sexo oral. Diga-se o que se quiser, tem talento.

Eles são a ponta talvez mais expressiva da alentada delegação americana, composta de cinco títulos apenas no concurso principal – os outros são Black Swan, de Darren Aronofsky (vencedor do Leão de Ouro com O Lutador), Kelly Reichardt , com Meek’s Cutoff e Julian Schnabel com Miral. Considerando que a mostra tem 22 concorrentes, cinco não é número baixo. Pelo contrário. Ainda mais quando se pensa que o time da casa – a Itália – entra com apenas quatro participantes.

La Pecora Nera, de Ascanio Celestino, La Solitudine dei Numeri Primi, de Saverio Costanzo, Noi Credevamo, de Mario Martone, e La Passione, de Carlo Mazzacuratti, são os concorrentes locais. A escolha não se deu sem discussões, como é praxe no país. Até a véspera da divulgação debatia-se se o filme de Puppi Avati, Una Sconfinatta Giovinezza, iria para a competição, como desejava o veterano diretor, ou para uma exibição fora de concurso, como propunha a direção de Veneza. Criou-se impasse. Resolvido de forma radical: Avati não vai de uma forma e nem de outra. Viu-se excluído do festival, ou excluiu a si mesmo, ainda não se sabe.

Se polêmicas antes, durante e depois nunca faltam ao festival italiano, Veneza 2010 chega com algo que pode, de fato, ser considerado inovador na estrutura da sua mostra Horizontes, da qual participa o brasileiro Luiz Pretti. Ela agora abriga “novas tendências” do cinema mundial, sem discriminação de formatos, suportes ou gêneros. Dela participam tanto longas quanto curtas-metragens, sejam documentários, obras de ficção ou animações. Justo: o cinema é um só.

(Caderno 2, 30/7/10)

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