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Filmes selvagens

Luiz Zanin Oricchio

02 de julho de 2007 | 20h28

Leio uma matéria interessante na revista francesa Le Nouvel Observateur sobre filmes de baixo orçamento, os populares B.O., como chamamos por aqui. Pois bem, eles estão na moda até mesmo na rica Europa. Em especial depois que o paupérrimo Quatro Meses, Três Semanas e Dois Dias, do romeno Cristian Mungiu, ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o mais badalado dos festivais de cinema do mundo. Quem já esteve em Cannes sabe que aquilo espirra dinheiro por todos os lados. Não deixa de ser uma doce e poética ironia desse segmento argentário do entretenimento que tenha sido um filme miúra o centro final das atrações.

Não por acaso, quem presidia o júri em Cannes era o inglês Stephen Frears. Em seu país, Frears dirige um projeto chamado Microwave, que visa produzir dez filmes de custo total entre 110 mil e 150 mil euros (multiplique por 2,60 para ter o valor em reais). Na Dinamarca, a New Danish Screen trabalha com o mesmo objetivo: filmes bons e baratos. A Bélgica lançou uma iniciativa, sustentada pelo Ministério da Cultura, visando tornar possíveis filmes com orçamento de até 350 mil euros. Propostas semelhantes estão se multiplicando em vários países, sustenta a revista.

Todas essas iniciativas partem de um princípio: as tecnologias audiovisuais em tese baratearam os custos dos filmes. No entanto, por paradoxo, os orçamentos dos filmes comerciais não param de subir, turbinados por gastos crescentes com propaganda e marketing, altos salários das estrelas, etc. Que tal então cortar a perfumaria e ficar com o essencial?

Os cineastas dão suas dicas para os “filmes selvagens”: poucas locações e elencos reduzidos. E, sobretudo, boas idéias, que valham a pena serem levadas para tela, não essas baboseiras que pululam por aí, para comer com pipoca e esquecer. Vamos nessa?

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