Filmes lembram que escola é lugar de cidadania, não de terror e morte
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Filmes lembram que escola é lugar de cidadania, não de terror e morte

Luiz Zanin Oricchio

15 de março de 2019 | 11h47

Diários de Classe

 

Ainda sob o impacto do massacre de Suzano, destaco dois documentários em cartaz para nos  lembrar a escola como lugar de cidadania, não de terror e morte. São Diários de Classe e Eleições.

Gostei muito de Diários de Classe, de Igor Souza e Maria Carolina, documentário que teve pouca divulgação. Entende-se: fala de educação voltada para classes sociais periféricas. Estas não costumam interessar aos veículos de comunicação, dedicados em especial à classe média e seus impasses e aspirações.

O filme segue três situações problemáticas de ensino: 1) mulheres presas; 2) adolescentes em abrigos; 3) escola noturna para adultos. Os três na Bahia. A par do aprendizado, rolam discussões com as alunas a propósito de feminismo, racismo, homossexualidade, solidariedade, justiça. Temas fundamentais da cidadania. 

Três mulheres negras se destacam na narrativa: Vania Costa estuda o dispositivo legal e espera pela revisão do seu processo. Tiffany é uma adolescente trans em busca de sua identidade sexual. Maria José Santana tenta, como tantas outras, conciliar seu emprego de doméstica com o estudo.

Eleições

Eleições, de Alice Riff, refaz a campanha eleitoral pelo Grêmio Estudantil numa escola paulistana de ensino médio. Quatro chapas disputam votos e reproduzem as diferenças existentes na sociedade como um todo. Há um grupo mais conservador, outro LGBT, o das meninas etc. No entanto, ao contrário do que aconteceu na campanha presidencial, os grupos debatem entre si. 

O filme foi rodado em 2018, ano da polarizada campanha pela presidência da República. De certa forma, a modesta eleição estudantil funciona como espelho dessa realidade maior. Mais: com foco ajustado em mulheres, negros e LGBT, destaca grupos em geral excluídos das grandes decisões da nação. É a forma de o filme ser político. E sugerir que é do fortalecimento de grupos agora excluídos que pode sair alguma via de escape para o impasse em que nos encontramos.  

Repito: escola é espaço de cidadania e talvez o mais importante de todos, pois tem a vista levantada para o futuro, para as novas gerações que assumirão o país que para elas deixarmos.

Educação deveria ser levada a sério e não ser entregue a lunáticos despreparados.

 

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