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Filme sobre Violeta Parra abre o Cine Ceará

Luiz Zanin Oricchio

02 de junho de 2012 | 00h57

 

Violeta Foi para o Céu, de Andrés Wood, abre hoje o 22.º Cine Ceará e já se candidata aos troféus Mucuripe do festival de cinema cearense. O diretor chileno tem mão boa (basta lembrar do interessante e terno Machuca, que andou pelos nossos cinemas faz alguns anos) e à sua personagem não falta carisma. Pelo contrário.

Morta em 1967, a cantora, compositora, folclorista e artista plástica chilena Violeta Parra foi uma das figuras mais conhecidas internacionalmente nos chamados anos rebeldes.

Quando uma época mais conservadora chegou, a imprensa tentou ridicularizá-la como parte da geração poncho e conga. Mas também isso passou. E Violeta ficou. Sua fama aumentou com a morte trágica (suicidou-se aos 50 anos). Quem não se lembra de brasileiros como Elis Regina cantando Gracias a la Vida e Milton Nascimento, Volver a los 17? Sem talvez o sabermos, Violeta está em nosso imaginário musical.

Wood encontra em Francisca Gavilán a intérprete ideal para a atormentada Violeta. Rosto duro, voz boa e forte, Francisca compõe uma Violeta Parra disposta a tudo para divulgar a música do seu povo e cantar sua mensagem libertária. Mas era também mulher sofrida, que sabe da morte da filha pequena durante uma viagem à Polônia e padece de males de amor incuráveis. Nunca baixa a cabeça e não aceita o papel subalterno do artista na classista sociedade chilena. Era rebelde nata.

O filme trabalha com uma estrutura narrativa não cronológica. Assim, vemos alternadas cenas da infância pobre de Violeta, suas viagens ao exterior e a longa estada em Paris, onde expôs suas obras de artista plástica intuitiva no Louvre. Vida tempestuosa, que ganha tradução na interpretação intensa de Francisca Gavilán e no tom sóbrio de Wood. Belo filme.

Na mostra competitiva de longas-metragens, Violeta Foi para o Céu terá oito concorrentes pela frente, sendo três do Brasil, além do México, da Espanha, da Guatemala, da Argentina e do Equador com um filme cada um.

Entre os brasileiros, um documentário – Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now, de Ninho Moraes e Francisco César Filho – e duas ficções, Rânia, de Roberta Marques, e Febre do Rato, de Cláudio Assis. Este foi o vencedor do Festival de Paulínia de 2011. Lá mesmo ganhou o prêmio da crítica, o que o impede de ser novamente avaliado pelos jornalistas. Sem entrar no mérito do filme, ótimo por sinal, sua presença é redundância que enfraquece a seleção do Cine Ceará.

Por sorte, os outros competidores são desconhecidos no Brasil. Além de Violeta Parra, disputam os troféus o espanhol Bersolari, de Asier Altuna, o mexicano Prazo de Validade, de Kenya Márquez, o guatemalteco Distância, de Sergio Ramirez, o equatoriano Em Nome da Filha, de Tania Hermida, e o argentino Um Amor, de Paula Hernández. Note-se a presença de quatro cineastas mulheres entre os competidores, proporção rara.

Os homenageados são a produtora Lucy Barreto e o ator Marco Nanini. O cineasta Fernando Meirelles também estará em Fortaleza. O diretor de Cidade de Deus participa de debate de reavaliação do seu polêmico filme, dez anos depois.

NA COMPETIÇÃO

Violeta Foi para o Céu (Chile), de Andrés Wood

Bertsolari (Espanha), direção de Asier Altuna

Distancia (Guatemala), direção de Sergio Ramírez

Em Nome da Filha (Equador), direção de Tania Hermida

Febre do Rato (Brasil), direção de Cláudio Assis

Data de Vencimento (México), de Kenya Márquez

Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now! (Brasil), de Ninho Morais

Rânia (Brasil), direção de Roberta Marques

Um Amor (Argentina), direção de Paula Hernández

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