Filme belga vence o Amazonas Film Festival
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Filme belga vence o Amazonas Film Festival

Luiz Zanin Oricchio

16 de novembro de 2007 | 00h57

seca
Cena de Se o Vento Levanta a Areia

Se o Vento Levanta a Areia (Sounds of Sand), da belga Marion Hänsel, é o grande vencedor do 4 Amazonas Film Festival, na categoria filme de ficção. O prêmio foi anunciado pelo presidente do júri, o cineasta inglês John Boorman, que definiu o filme como “simples, verdadeiro e doloroso”. Cada palavra define o que é esta obra, que retrata a travessia de uma família africana pelo deserto, enfrentando a fome, a sede e as guerrilhas que assolam diversos países do continente. O prêmio do público ficou para o único brasileiro em concurso, O Signo da Cidade, dirigido por Carlos Alberto Riccelli e interpretado por Bruna Lombardi. O casal estava presente à cerimônia, que aconteceu no Teatro Amazonas, e recebeu o troféu com emoção.

O Prêmio do Júri, espécie de segundo lugar no festival amazonense, foi dividido entre a aventura do tempo dos cossacos Ladrões de Cavalos, do belga Micha Wald, e o muito bom filme de guerra Assembly (Toque de Recolher), de Feng Xiaogang. Quem recebeu o troféu Vôo na Floresta pelo compatriota foi a atriz chinesa Bai Ling, uma das figurinhas carimbadas do festival. Bai Ling foi rainha dos fotógrafos e tanto fez para aparecer que, por um misterioso efeito de saturação, tornou-se simpática a todos. Disse que era muito amiga do cineasta e ele certamente estaria “enchendo a cara em algum boteco de Pequim”.

Também na categoria documentário o Prêmio do Público ficou para um brasileiro – Navegar Amazônia – uma Viagem com Jorge Mautner, de Jorge Bodansky e Evaldo Mocarzel. O júri oficial, presidido pelo britânico Richard Brock também concedeu uma menção a Navegar Amazônia, considerando-o um filme ainda em processo, “um work in progress que deve ser incentivado”, disse. O Prêmio do Júri de documentários foi dividido entre Bushman’s Forest, de Rehad Desai e Richard Wicksteed, e Before the Flood, de Jos de Putter. Mas o grande vencedor foi o francês Jagvak – Prince of the Insects, de Jérôme Raynaud.

O troféu de melhor curta coube a Vida Maria, animação cearense sobre o sofrido ciclo de vida da mulher nordestina, que vem ganhando todos os festivais por onde passa, já há um ano. O Prêmio do Júri, foi para Nas Asas do Condor, da amazonense Cristiane Garcia, sobre um episódio da infância do escritor Milton Hatoum. Filme sensível, realizado com atores, mas que se vale de maneira criativo do recurso da animação para mostra o primeiro vôo da inspiração do garoto Hatoum. Vôo, no sentido literal do termo.

Na categoria curtas-metragens digitais quem fez barba e cabelo foi A Incrível História de Coti: Rambo de São Jorge, que levou o grande prêmio do júri e também faturou o do público. Coti é a segunda figura carimbada do festival. De prenome Aldenir, Coti fabrica portões no bairro pobre de São Jorge. Mas sua mania é mesmo ser Rambo, e passeou com a indumentária de Sylvester Stallone durante todo o período do festival. E, ao receber o troféu concedido ao filme de Anderson Mendes dedicado a ele…chorou no palco. É assim, o nosso Rambo do 3º Mundo é um sentimental. O filme é bom e divertido; sem ser crítico, dedica-se ao personagem, evitando desconstruí-lo.

Organizado por um francês, Lionel Chouchan, e pelo governo do Estado, o Amazonas Film Festival tem um caráter misto – é internacional e brasileiro. Do encontro entre o improviso bem nosso, e o senso de ordem às vezes rígido deles, produz-se uma pororoca talvez bem interessante. Registros finais: a seleção de longas foi impecável. A premiação quase isso, não fosse o injusto esquecimento do australiano Lucky Miles, talvez o mais criativo dos concorrentes.

Abaixo, a relação completa dos premiados:

VENCEDORES DO 4O AMAZONAS FILM FESTIVAL

CURTAS-METRAGENS DIGITAL

Prêmio do Público

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE COTI: RAMBO DE SÃO JORGE, de Anderson Mendes

Grande Prêmio

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE COTI: RAMBO DO SÃO JORGE, de Anderson Mendes

CURTAS-METRAGENS 35MM

Prêmio do Público

NAS ASAS DO CONDOR, de Cristiane Garcia

Grande Prêmio

VIDA MARIA, de Márcio Ramos

PRÊMIO ROTEIRO

OS CRIMINOSOS, de Emerson Medina

DOCUMENTÁRIOS – DOCUMENTARIES

Prêmio do Público

NAVEGAR AMAZÔNIA – UMA VIAGEM COM JORGE MAUTNER, de Jorge Bodansky e Evaldo Mocarzel

Prêmio do Júri

Empate:

BUSHMAN’S SECRET, de Rehad Desai e Richard Wicksteed

BEFORE THE FLOOD, de Jos de Putter

Grande Prêmio

JAGLAVAK – PRINCE OF THE INSECTS, de Jérôme Raynaud

FICÇÃO – FEATURE FILMS

Prêmio do Público Longas-Metragens Ficção

THE SIGN OF THE CITY – O SIGNO DA CIDADE, de Carlos Alberto Riccelli

Prêmio do Júri Longas-Metragens Ficção

Empate:

ASSEMBLY, de Feng Xiaogang

HORSE THIEVES, de Micha Wald

Grande Prêmio Longas-Metragens Ficção

SOUNDS OF SAND, Marion Hänsel

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