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Ficção x documentário

Luiz Zanin Oricchio

24 Novembro 2006 | 19h28

Uma leitora do blog, Claudia, mandou a observação abaixo em reação a um post sobre o cinema documental:

“O problema do documentário, eu acho, é sempre ter aquele viés pedagógico do tipo “vou mostrar para vocês”. Não sei se funciona muito bem quando se pretende tocar os corações e mentes. Parece que ficções como Cidade de Deus e Contra Todos acabam se mostrando mais efetivos nesse sentido.”

Eu prometi a ela levar esse tema ao debate com os cineastas presentes aqui no Festival de Brasília e o fiz. O Evaldo, diretor de Jardim Ângela, disse que de fato a ficção tinha fama de ser mais envolvente na relação com o público, mas o documentário não necessariamente precisa ficar atrás. Mesmo porque tudo hoje em dia vai se misturando um pouco. Os documentários usam técnicas de ficção, e as ficções, procedimentos documentais. É tudo questão de como fazer.

A produtora dele, a Zita Carvalhosa, lembrou que há também a barreira comercial para apresentar os documentários ao público. Como os donos de cinema acham que não dá público, não exibem (ou exibem pouco) esse tipo de filme. Como, por isso, os documentários não chegam ao público, este jamais se habitua a vê-los. Parece aquela história daquela marca de biscoito: vendem mais porque são fresquinhos ou são fresquinhos porque vendem mais?

Além disso, a Zita, que é também diretora do importante Festival de Curtas-metragens de São Paulo, lembrou que foi um documentário do próprio Mocarzel, À Margem do Concreto, que venceu o prêmio de melhor filme para o público, aqui mesmo, no Festival de Brasília do ano passado. Então, depende de como apresentar o filme a esse público. E também o tipo de público que você procura. Logicamente, nenhum documentário será um sucesso de bilheteria, como Titanic ou Homem-Aranha. Mas é isso que se procura?