Festival de Brasília começa hoje com filme de Marco Bellocchio
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Festival de Brasília começa hoje com filme de Marco Bellocchio

Luiz Zanin Oricchio

22 de novembro de 2019 | 17h43

 

 

O Traidor, de Marco Bellocchio, abre hoje à noite o Festival de Brasília. Um filme italiano na abertura do festival que, orgulhosamente, se intitula “do cinema brasileiro” em sua denominação completa? Sim, por que não? O Traidor tem DNA brasileiro em suas veias, desde a produção da Gullane Filmes até a atriz Maria Fernanda Cândido, que interpreta a mulher do mafioso Tommazo Buscetta, o “anti-herói” da história. Parte das filmagens foram feitas no Rio de Janeiro, onde Buscetta se refugiou depois de ter renegado sua condição de membro da Cosa Nostra. Foi um dos principais “colaboradores” do poder judiciário italiano e sua delação premiada produziu estragos na organização criminosa. Buscetta fugiu para o Brasil, casou-se com uma grã-fina carioca, teve de fazer várias operações plásticas para mudar a aparência e fugir à sanha de vingança dos antigos parceiros. Esta, a história contada por um dos poucos sobreviventes dos antigos mestres do cinema dos anos 1960, Marco Bellocchio, atualmente com 80 anos.

 

De qualquer forma, a presença de O Traidor na programação não deixa de ser uma novidade num evento que parece cheio delas. Cabe lembrar que o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, agora em sua 52ª edição, é o mais antigo evento do gênero no Brasil. Nasceu em 1965, com o nome de Semana do Cinema Brasileiro, sob os auspícios de ninguém menos que Paulo Emilio Sales Gomes e sua equipe. Na época, Paulo Emilio, nosso crítico maior, lecionava no pioneiro curso de cinema da Universidade de Brasília, instituição que se queria inovadora, num tempo em que o país desejava ser moderno. 

 

O Festival de Brasília sofreu com a censura na época da ditadura militar (três edições não foram realizadas, 1972,1973,1974), mas exibiu o que de melhor havia na produção nacional ao longo de décadas. Premiou nossos principais diretores, deu visibilidade aos filmes mais representativos, construiu a aura de plateia mais politizada do país, enfrentou a seca do período Collor e viu o cinema nacional renascer na chamada Retomada do cinema nacional. É o pulso e o termômetro da nossa cinematografia. Registra seus batimentos cardíacos e febres e arritmias ocasionais. Veremos como será este ano, em que a cultura nacional – e o cinema, em especial – se veem perseguidas pelo poder de plantão. 

 

Ao longo de sua história adotou vários formatos de seleção de filmes e programação. Durante muitos anos manteve uma fórmula enxuta, seis longas e 12 curtas apenas, discutidos a fundo nos famosos debates do dia seguinte à exibição. Debates em que se trocavam ideias, discutia-se e às vezes pegavam fogo. Nos últimos anos, decidiu-se por uma programação mais extensa e bastante mais fechada na escolha de um cinema brasileiro independente e experimental. 

 

Volta agora ao formato algo próximo daquele adotado anos atrás. Teremos sete longas na competição principal de longas e mais 14 curtas. As sessões noturnas, portanto, não serão massacrantes. Haverá tempo para fruir os filmes e, com sorte, discuti-los no dia seguinte à exibição. 

Mas há outras seções que prometem dar originalidade a este evento de 2019. Além da tradicional Mostra Brasília, com a produção local, haverá uma seleção de filmes oriundos de vários Estados da federação. Tenta-se, desse modo, um panorama daquilo que está sendo feito em todo país, uma visão que não se limita aos eixos tradicionais de produção, Rio-São Paulo em particular. Um olhar voltado para a diversidade.  

Entre todas as mostras, um total de 108 filmes (longas, médias e curtas) serão exibidas no Cine Brasília ao longo do festival. A festa termina dia 30, com a exibição de Giocondo Dias, Ilustre Clandestino, do cineasta Vladimir Carvalho. 

 

Concorrentes:

  •  
  • Volume morto, de Kauê Telloli (SP)
  • A febre, de Maya Da-Rin (RJ)
  • Alice Júnior, de Gil Barone (PR)
  • O tempo que resta, documentário de Thaís Borges (DF)
  • Loop, de Bruno Bini (MT)
  • O mês que não terminou, da dupla Francisco Bosco e Raul Mourão (RJ); e
  • Piedade, Claudio Assis (RJ).

Outros competidores

Curtas

Alfazema (RJ, ficção, 24min, 14 anos), de Sabrina Fidalgo

Amor aos Vintes Anos (SP, 24min, livre), de Felipe Arrojo Poroger e Toti Loureiro

Angela (MG, ficção, 14min, livre), de Marília Nogueira

Ari y Yo (PA, documentário, 12min, livre), de Adriana de Faria

Cabeça de Rua (MG, ficção, 14min, 10 anos), de Angélica Lourenço

Caranguejo Rei (PE, ficção, 23min, 12 anos), de Enock Carvalho e Matheus Farias

Carne (SP, animação, 12 anos, 14 anos), de Camila Kater

Chico Mendes: Um Legado a Defender (DF, documentário, 10min, 10 anos), de João Inácio

Marco (CE, ficção, 20min, 10 anos), de Sara Benvenuto

A Nave de Mané Socó (PE, ficção, 18min, livre), de Severino Dadá

Parabéns a Você (PR, ficção, 19min, 10 anos), de Andréia Kaláboa

Pelano! (BA, ficção, 12min, livre), de Christina Mariani e Calebe Lopes

Rã (SP, ficção, 15min, livre), de Julia Zakia e Ana Flavia Cavalcanti

Sangro (SP, 7min, 14 anos), de Tiago Minamisawa, Bruno H. Castro e Guto BR

Mostra Brasília BRB

Longas

Ainda Temos a Imensidão da Noite (ficção, 98min, 16 anos), de Gustavo Galvão

Dulcina (documentário, 94min, livre), de Glória Teixeira

Mãe (ficção, 86min, 16 anos), de Adriana Vasconcelos

Mito e Música: A Mensagem de Fernando Pessoa (documentário, 96min, 12 anos), de Rama de Oliveira e André Luiz Oliveira

Curtas

Ambulatório (documentário, 21min, livre), de Júlia de Lannoy

Claudia e o Crocodilo (animação, 10min, 10 anos), de Raquel Piantino

Encanto Feminino (ficção, 8min, livre), de Fabíola de Andrade

Escola Sem Sentido (ficção, 15min, livre), de Thiago Foresti

Luis Humberto: O Olhar Possível (documentário, 20min, livre), de Mariana Costa e Rafael Lobo

#SOMOSAMAZÔNIA (documentário, 12min, livre), de João Inácio

A Terra em que Pisar (ficção, 25min, livre), de Fáuston da Silva

O Véu de Armani (ficção, 15min, livre), de Renata Diniz

 

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