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Festivais

Luiz Zanin Oricchio

30 de novembro de 2007 | 21h03

Sou macaco velho em festivais de cinema e sei que é sempre a mesma coisa -toda vez alguém sai magoado e o chato é quando esse alguém é uma pessoa superbacana.

Acontece o seguinte: filmes são colocados para competir uns contra os outros, como se fossem participantes de um torneio de futebol. Não é a mesma coisa, e produtos culturais são literalmente incomparáveis. Claro que podemos dizer que uns são “melhores” do que os outros. Mas entra, nesse julgamento, boa dose de subjetividade, quando não sentimentos de amizade e implicâncias pessoais, preferências por este ou aquele estilo, preconceitos, enfim, tudo o que é da ordem da imperfeição humana quando julga seus semelhantes e suas obras. Não digo que isso tenha acontecido em Brasília, mas são intercorrências possíveis, que estão sempre no horizonte.

Nós mesmos, jornalistas que cobrimos festivais, estamos sujeitos a essas distorções. Ao longo do evento vamos escolhendo nossos favoritos e descartando outros concorrentes. Vamos montando uma tabela de preferências mental. No final, chegamos com nossas percepções (e opiniões) acirradas, pois também nos sentimos obrigados a escolher alguns e refutar outros.

Muitas vezes me aconteceu de rever um filme de festival, tempos depois, e constatar que ele não era tão bom, ou tão ruim, quanto eu julgava. É que a nossa apreciação, em festival, se dá pelo conjunto, em bloco, numa estrutura de competição. Fora dela, podemos olhar para as obras em sua individualidade, como aliás elas foram feitas para serem olhadas.

Costumo dizer que um festival é a pior situação do mundo para se ver um filme.

No entanto, quem entra neles, para competir, para cobrir, ou participar de qualquer forma, já conhece as regras do jogo. É pegar ou largar.

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