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Feliz que Minha Mãe Esteja Viva

Luiz Zanin Oricchio

25 de março de 2011 | 18h40

De pai para filho – é assim a direção partilhada entre Claude e Nathan Miller do drama familiar Feliz Que Minha Mãe Esteja Viva, inspirado em artigo de Emmanuel Carrère publicado na revista L”Événement du Jeudi. Em uma linha, trata-se da história do filho abandonado pela mãe quando bebê, que a reencontra ao se tornar adulto.

É, portanto, um filme de sentimentos, muito bem dosados pela dupla de realizadores. Claude e Nathan parecem conscientes do tema explosivo que levam à tela e o controlam para que não desande em melodrama. Também fiéis a certa tradição francesa, banham a história em suave psicanálise, que, ao contrário do que acontece com facilidade, nunca esbarra no esquemático.

De fato, será preciso ter mãos delicadas para não deixar cair na caricatura o reencontro tardio entre mãe e filho tantos anos depois e a gama de sentimentos que entre eles se estabelece. Filho adolescente e mãe ainda muito jovem: um misto de estranhamento e desejo, de atração e repulsão entre a dupla. Tudo mesclado pelo sentimento de culpa por parte de mãe, e ressentimento por parte do filho. Dito de modo claro: uma situação mais do que complexa.

É verdade que o filme demora um pouco para se concentrar sobre seu assunto. Como se tateasse antes de entrar de chofre em seu tema delicado. Mas essa hesitação inicial é compensada pelas atuações seguras de Vincent Rottiers, como o filho na idade adulta, e Sophie Cattani, como Julie, a jovem mãe de vida atrapalhada. Boa mão dos diretores também ao conduzir com firmeza o fio da ambiguidade que perpassa a narrativa e a sua recusa em preparar o espectador para o desfecho imprevisto – que virá como um soco.



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