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Falsa Loura no Cine Ceará

Luiz Zanin Oricchio

14 de abril de 2008 | 12h54

FORTALEZA – Em falta de Rosanne Mulholland, que não pôde vir, o diretor Carlão Reichenbach subiu ao palco de peruca loura. Para apresentar seu filme Falsa Loura, que concorre aqui, já tendo sido apresentado antes nos festivais de Brasília (ano passado) e Tiradentes (em março). É um bonito filme, o do Carlão, mas que não despertou maiores frissons na platéia do Cine São Luiz. Certo, o público ficou lá, aplaudiu moderadamente, mas não chegou a se empolgar. Foi a terceira vez que vi o filme e acho que já conheço bem suas qualidades e seus problemas (em minha visão das coisas, é claro).

É um filme de alma libertária e solidário. Silmara (Rosanne Mulholland, uma deusa) é uma operária que gosta de namorar, tem pai ex-presidiário e se envolve com dois cantores populares. Não gosto de alguns diálogos e certas situações do roteiro me parecem um tanto artificiais. A câmera é soberba, a trilha sonora conduz o filme e toda a seqüência final, na fazenda, com Silmara, o canastrão Mauricio Mattar e seu filho é soberba, envolvente. Há outras seqüências memoráveis, como uma, de sexo, em que as ondas do mar se sobrepõem ao corpo da personagem. Muito sensual. O que mais impressiona é a dignidade da personagem, que enfrenta até mesmo seus erros de cabeça erguida. Diz Carlão que isso se deve muito ao desempenho de Rosanne. É uma atriz que nasce. Aliás, que já nasceu como sabe quem a viu nos trabalhos anteriores que fez com José Eduardo Belmonte, A Concepção e Meu Mundo em Perigo.

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