Excelentíssimos, um filme de terror brasileiro
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Excelentíssimos, um filme de terror brasileiro

Filme mostra os bastidores do processo de impeachment de Dilma Rousseff, visto como golpe parlamentar e jogo de cartas marcadas

Luiz Zanin Oricchio

22 Novembro 2018 | 12h29

Embora dê impressão de ter chegado tarde demais, Excelentíssimos ainda é documentário a ser visto. Ajuda a entender o ponto a que chegamos. O filme acompanha os bastidores do Congresso ao longo do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Nele, por exemplo, vemos o deputado Jair Bolsonaro defendendo às claras suas “ideias” – essas mesmas que seduziram a maioria do eleitorado brasileiro.

O ponto de vista de Excelentíssimos é de quem vê aquele longo percurso como uma espécie mau teatro, jogo de cartas marcadas com final definido, no qual as escaramuças entre defesa e acusação pareciam apenas fazer parte de um enredo previsível do começo ao fim, no quadro da frágil democracia brasileira.

Há um depoimento muito interessante do deputado Carlos Marun que, por sua franqueza, presta-se como resumo da ópera. Ele comenta a tese das pedaladas fiscais, apresentadas como crime de responsabilidade para afastar Dilma. “Para falar a verdade, se ela tivesse roubado um picolé eu votaria a favor do impeachment”, diz. Marun se tornaria ministro de Temer na sequência.

Não é muito agradável rever toda essa trama horripilante, uma das páginas mais lamentáveis da política nacional em toda sua História.

Mas o filme, embora redundante e carente de montagem mais rigorosa, sem dúvida revela-se necessário e didático. Deve ser visto, por mais repulsa que cause. Até por isso mesmo.