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Eumir Deodato e a bossa

Luiz Zanin Oricchio

22 de setembro de 2008 | 16h28

Recomendei a entrevista de Eumir Deodato a Jotabê Medeiros porque, além de bem-feita, coloca algumas coisas em perspectiva. O que me parece salutar em ano de muito oba-oba. Dito isso, esclareço que sou “bossa nova” total. Adoro o gênero, se gênero é, e ouço bossa o tempo inteiro. Tenho Tom Jobim, Baden, Vinícius, João Gilberto & Cia em meu altar devocional particular.

Gostar de uma entrevista, ou de um texto, não quer dizer (pelo menos não, para mim) estar de pleno acordo com tudo o que ele afirma. Significa, no caso, reconhecer que discute e dá uma balançada em certas verdades estabelecidas. Mexe o molho, se me entendem. Mas, em nenhum momento afirmei que a entrevista era “bombástica”. Se vocês soubessem o quanto eu me desinteresso pelo “bombástico”, no sentido sensacionalista do termo,saberiam do que estou falando.

Para finalizar: gosto muito do disco de João com Stan Getz e não o acho oportunista de maneira nenhuma. Aliás, uma vez, muitíssimos anos atrás, fui assistir a um concerto de Stan Getz e seu grupo em Paris, acho que no Olympia. Gostei. Mas os amigos que me acompanhavam o acharam frio. Getz tocou só jazz, nadinha de bossa nova, e achei o concerto, no mínimo, inteligente. Quem não gostou, entendeu que a música era cerebral. Ok, mas não era banal.

Outra coisa: não sei se Tom era grande arranjador. Sei que alguns dos seus melhores discos foram arranjados por Claus Ogerman. São o caso de Urubu e Matita-Perê, duas obras-primas.

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