Estreias têm do cinema humanista de Robert Guédiguian a um thriller sobre os Panteras Negras
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Estreias têm do cinema humanista de Robert Guédiguian a um thriller sobre os Panteras Negras

Luiz Zanin Oricchio

25 de fevereiro de 2021 | 13h20

Cena de ‘O Mundo de Glória’, de Robert Guédiguian

A meu ver, a principal estreia da semana é o francês O Mundo de Glória, do cineasta Robert Guédiguian. Ele é conhecido por seu cinema social, geralmente ambientado em sua cidade natal, Marselha. Na história, uma família se reúne em torno do nascimento do bebê Gloria. A chegada de uma criança é sempre motivo de esperança e empresta novos significados à vida de todos. Mas a família em questão tem problemas por todos os lados. Há o patriarca, que sai da prisão depois de cumprir pena de 20 anos. Uma parte da família luta contra o desemprego, com um dos seus membros trabalhando como motorista de Uber. A outra parte é de bem-sucedidos comerciantes. Mas os dois lados não se comunicam muito bem, pelo contrário. No pano de fundo, o cinema humanista de Guédiguian, no qual não existem bons e nem maus. Apenas homens e mulheres frágeis lidando com um sistema econômico perverso que os esmaga. No elenco, os atores de sempre da trupe de Guédiguian, a atriz Ariane Ascaride, e os atores Jean-Pierre Darroussin e Gérard Meylan. 

Outro filme francês interessante que chega ao circuito é Mais que Especiais, de Olivier Nakache, com o tema dos autistas. Vincent Cassel e Reda Kateb interpretam os dois homens que cuidam de crianças e adolescentes diagnosticados como autistas, casos considerados graves, que foram recusados por outras instituições. Em pauta, a violência de diagnósticos psiquiátricos, que tentam silenciar síndromes que não compreendem. E a valorização de tratamentos que visam minimizar o sofrimento das pessoas através de um atendimento personalizado, cheio de empatia e humanidade. Tudo o que a medicina na linha de montagem de hoje deixa de oferecer aos pacientes. 

Vem dos Estados Unidos o importante Judas e o Messias Negro, de Shaka King. História verídica de um infliltrado do FBI no movimento dos Panteras Negras, o que ocasiona o assassinato do líder Fred Hampton, aos 21 anos. O filme tem tensão, bom clima de ação e é densamente político. A ideia de fundo é que líderes revolucionários podem ser mortos, mas não se pode matar as ideias que defendem. O filme é dirigido pelo cineasta negro Shaka King. Ele procura dar uma nova visão sobre o movimento dos Panteras Negras, tachado como ultra-violento pelo FBI e pela imprensa. Por exemplo, eles mantinham todo um sistema assistencial para a população negra mais pobre. Hampton é vivido por Daniel Kaluuya e o “Judas”, William O’Neal por LaKeith Stanfield. O filme concorre a dois Globos de Ouro, premiação que acontece no domingo – para ator coadjuvante (Kaluuya) e melhor canção original. 

No Cine Belas Artes prossegue a mostra de cinema noir, com oito clássicos do gênero. Em plena pandemia, teve boa receptividade de público, tanto assim que foi prorrogada. Estreia esta semana a mostra da dupla Luis Buñuel-Jean Claude Carrière, com vários filmes notáveis como A Bela da Tarde, Diário de uma Camareira, O Discreto Charme da Burguesia e outros. O Belas Artes já tem programadas mostras sobre mulheres premiadas no Festival de Cannes e os filmes da primeira fase de Pedro Almodóvar. Pelo jeito, sacaram que existe uma nostalgia do espectador por grandes filmes do passado. 

No streaming, o Cinema Virtual estreia Mambo Man – Guiado pela Música, um interessante filme cubano dirigido por Edésio Alejandro. O personagem principal é um pequeno sitiante que vive com dificuldades financeiras. Um telefonema de um antigo conhecido parece lhe oferecer a chance de resolver seus problemas. É a tentação capitalista que chega à ilha…

O cinema brasileiro chega com dois novos filmes, Christabel e Depois a Louca sou Eu. Sobre eles, falarei oportunamente. Ou não…

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