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Essa ideia é uma teteia

Luiz Zanin Oricchio

15 de janeiro de 2009 | 00h13

Pelo título você já tem noção da alta conta em que tenho esse malfadado acordo ortográfico que nos obriga a escrever o idioma pátrio de maneira tão exótica. Isso quando as outras nações envolvidas, Portugal inclusive, sequer regulamentaram o acordo e não estão nem um pouco interessados em adotá-lo. Com tantos problemas para resolver, o Brasil saiu na frente, como se fosse caso de máxima urgência… Juro que tentei entender as razões dessa intervenção na língua, mas não “percebo”, como dizem os nossos irmãos lusos. Me parece algo da mais completa inutilidade, falta do que fazer, coisa de acadêmicos ociosos e diplomatas de punhos de renda. Fosse inócuo, vá. A gente aceitava e ponto. Mas o tal acordo é bem incômodo. Outro dia, Milton Hatoum escreveu uma coluna dizendo que a falta de acento agudo como que tira o brilho de uma boa “ideia”, ou torna o “voo” algo mais pesado, rasteiro. Concordo. Não são alterações inócuas. Afetam a nossa sensibilidade quando lemos ou escrevemos. Isso sem falar no hífen. Juro que durante as férias tentei entender os novos critérios para uso dessa partícula. Não existem. Trata-se de algo caprichoso, arbitrário, feito para dificultar a vida de quem escreve. Uma sucessão de exceções e pegadinhas lá colocadas apenas para demonstrar que o português pode mesmo ser o mais difícil de todos os idiomas. Sobretudo quando nos empenhamos em complicá-lo, sem qualquer propósito. Ou mero bom senso.

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