‘Esquadrão Suicida’ e a ‘nova crítica’
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‘Esquadrão Suicida’ e a ‘nova crítica’

Luiz Zanin Oricchio

04 de agosto de 2016 | 13h41

esquadrao

 

Fui à cabine (sessão de imprensa) de Esquadrão Suicida anteontem. Sala Imax, do Cinépolis JK. Cheguei um pouco atrasado e as pessoas já tinham se acomodado. A sala estava tão lotada que só arrumei um lugar no fundo, com o ferro do corrimão cobrindo a visão de parte da tela.

Será que temos tantos críticos assim? Talvez. Mas a verdade é que outras cabines não ficam lotadas. Pelo contrário. Determinados filmes de maior empenho, digamos, cultural, atraem os mesmos gatos pingados de sempre. No cinema-pipoca é diferente. A cabine bomba.

Na saída, conversei com um colega de outro jornal e coloquei a dúvida para ele. Quem são eles?  “São sites, blogs de fãs, aficionados e Youtubers”. Soube por outro colega de um incidente na fila. Um dos convidados ficou bravio porque as camisetas promocionais do filme tinham acabado. Não deixou barato. Bronqueou com uma das assessoras. Como a fila não andava, esse colega teve a imprudência de perguntar: “Você é jornalista ou o quê? Veio aqui para ganhar brinde ou assistir ao filme?” Recebeu um palavrão como resposta.

Enfim, como esses produtos se dirigem a um público muito jovem, e que supostamente não se informa por jornais, as distribuidoras devem ter entendido que “aficionados” fariam mais pela divulgação do produto do que os críticos “convencionais”. É bem possível que tenham razão.

Mesmo porque não sei direito que tipo de crítica – a sério – podemos fazer desse tipo de produto. É um assunto que me inquieta, de fato, e digo isso sem qualquer ironia. Anos atrás escrevi algo assim a propósito de Transformers, que se trataria de um objeto “pré-crítico”, sobre o qual seria mais ou menos inútil refletir e escrever. Nunca meu blog foi tomado de assalto por gente furiosa como diante deste comentário. Minto: apenas quando meti o pau, metaforicamente é claro, no papa anterior, Ratzinger, quando de sua visita ao Brasil. Mas, enfim, fãs de Transformers revelaram-se tão militantes e indignados quanto carolas ofendidos pela minha observação sobre o papa e sua relação com temas como aborto e contraceptivos.

O filme Esquadrão Suicida, em si, me encheu de tédio. Lutei contra o sono durante as intermináveis lutas entre as forças do bem e do mal. Na verdade, aqui até que se insinua uma pequena novidade: a convocação de criminosos com super-poderes para combater um mal maior. O mal contra o mal maior. Dá para refletir sobre isso e não nego que esse ponto de partida seja estimulante. Daí a justificar todo o resto…há muito caminho a ser percorrido. Alguns momentos de graça com a Arlequina (Margot Robbie) e, acabou. É tudo tão infantil, tanto barulho por tão pouco…Dá para deduzir o que os produtores pensam da inteligência do público a partir de “obras” como esta. 

O blockbuster ocupa 1.405 salas do circuito, segundo informe do Portal Filme B.

E é isso, meninos e meninas.

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