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Escritor de cinema

Luiz Zanin Oricchio

14 de maio de 2010 | 19h23

Em seu blog, Pierre Assouline fala do roteirista Jean Aurenche, demonizado pela nouvelle vague, em especial por François Truffaut em seu artigo Une Certaine Tendance du Cinéma Français.

O post discute a trajetória desse “escritor de cinema”, que considerava (vejam bem a fórmula) o roteiro como “carta de amor endereçada ao cineasta”.

O motivo da intervenção é um documentário feito sobre a dupla Aurenche-Bost para uma série de TV que programa os filmes que tiveram origem nos roteiros escritos por eles.

Tudo isso é interessante, ainda mais porque sempre tem a ver com a pergunta de difícil resposta: o que significa escrever para cinema?

Durante muito tempo os roteiristas foram desvalorizados, muito em função da própria nouvelle vague e também, por que não?, do próprio Cinema Novo, com a ênfase na mise-en-scène e o relativo desprezo ao texto.

O próprio Glauber, que escrevia roteiros oceânicos, e era também homem de texto, nunca deu muita importância ao roteiro. Este seria como uma espécie de ensaio preliminar sobre o que iria filmar. Depois, na própria filmagem, e na montagem, é que o filme iria se resolver.

A filmagem seria uma espécie de negação dialética do roteiro.

Hoje, a ideia talvez seja outra, os roteiristas estão organizados, nos festivais existem sempre as oficinas de roteiro e há mais gente disposta a aceitar que a qualidade do texto inicial pode em alguma medida ser decisiva para o filme que se deseja fazer.

Mesmo assim, talvez sejam poucos os que admitam que, se existe algum problema no cinema brasileiro, ele está no roteiro, como andaram dizendo alguns consultores americanos de roteiro.

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