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Entrevista bombástica

Luiz Zanin Oricchio

31 Janeiro 2012 | 09h26

Estava vindo para o jornal e ouvia a Rádio Estadão ESPN no rádio do carro. Entrevista com Daniel Carvalho, um dos “camarões”do técnico Luiz Felipe Scolari. Bem, se você chegou ontem do planeta Urano, convém esclarecer: “camarão” é como o Felipão resolveu chamar os jogadores diferenciados, aqueles que chegariam para resolver os problemas do Palmeiras. O técnico já estaria cansado de feijão com arroz, e precisaria de ingredientes mais refinados para fazer uma escalação cordon bleu, para continuar na metáfora culinária.

Pois bem, gracinhas à parte, o camarão Daniel Carvalho, vindo do CSKA, chegou meio robusto. Parecendo um lagostim, ou mesmo uma verdadeira lagosta. E era exatamente sobre isso que ele falava aos repórteres da Estadão-ESPN. De como saíra magrinho do Internacional, dez anos atrás, e de como encorpara, por conta de umas injeções aplicadas pelos médicos russos. Em uma palavra, havia tomado anabolizantes. E então vinha a parte mais grave da entrevista: “Como lá não existe exame antidoping, não havia problema”.

Ou muito me engano, ou existe aí um fato gravíssimo, que coloca em risco a saúde dos jogadores. Se é verdade mesmo que não existe exame antidoping, as portas estão abertas para esse processo artificial de fortalecimento muscular, com todas as conseqüências para a saúde que acarreta. Sem querer, talvez apenas desejando explicar para a torcida e a imprensa a massa corporal avantajada, Daniel pode ter mexido com um vespeiro daqueles. Pode ter aberto a Caixa de Pandora aquela que, na mitologia, contém todas as pragas do mundo.

Mesmo porque, instigado pela reportagem, Daniel foi além e citou vários colegas que teriam ficado estranhamente fortes em suas passagens pela Europa. Os dois Ronaldos, Pato, Robinho e outros teriam sido submetidos a tratamentos semelhantes, para encarar o vigor do futebol europeu. Bom, essa é a parte menos substantiva da entrevista, mesmo porque envolve outras pessoas, que teriam de ser ouvidas. No entanto, Daniel já foi suficientemente eloqüente quando falou, com toda a propriedade, de si mesmo, do seu corpo e de como ele foi submetido a um tratamento a base de hormônios para ganhar massa. “Quando cheguei, eles me acharam muito fraquinho, franzino”, disse. Daí as tais injeções. Será que a Fifa, que mete o bico em tudo o que se relaciona com o futebol, não tem nada a dizer sobre isso. Em particular sobre a ausência de exames antidoping? Ou é um daqueles casos sobre os quais ninguém quer saber muito, porque pode atrapalhar os negócios?

Público

Enquanto isso, os campeonatos regionais sofrem com a ausência de público. Todos eles? Mais ou menos. Se o Paulista e o Carioca trabalham no vermelho, o mesmo não pode ser dito do Campeonato Pernambucano. O jogaço entre Sport 4 x 3 Náutico levou mais de 26 mil pessoas à Ilha do Retiro. Clássico é clássico. Teremos coisa semelhante por aqui quando começarem os nossos clássicos, ou essa fórmula da Federação Paulista será capaz de desidratar até mesmo rivalidades seculares?

(Coluna Boleiros)

 Obs: o homem já recuou e ficou o dito pelo não dito. Aconselho a quem não ouviu, que dê uma conferida na entrevista, para ver se fica alguma margem para dúvida. Aqui.

 

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