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Entre as estreias, os anos 70, em ficção italiana e documentário brasileiro

Luiz Zanin Oricchio

29 de maio de 2014 | 10h50

Os anos felizes [Anni felici, Itália/França, 2013] de Daniele Luchetti talvez não seja – e não é – um grande filme, mas Os Anos Felizes é bastante agradável. Luchetti não é cineasta de grandes invenções formais. Aliás, não inventa nada. Mas revela-se bastante eficiente em suas escolhas dramatúrgicas. Por exemplo, consegue interessar o espectador (pelo menos este aqui) com a história de um artista problemático (Kim Rossi Stuart), que entra em rota de colisão com a própria família (dois filhos e a incrível Micaela Ramazzotti). A história é narrada pelo ponto de vista de um dos filhos e debruça-se sobre a década de 1970, quando as contestações políticas andavam de par com as transformações radicais no âmbito dos costumes. Assim, os meninos têm de lidar com a separação do casal, as aventuras do pai, a experiência homossexual da mãe. Com tudo isso de problemático, o filme é mais solar que cinzento. E não nos deixa esquecer que aquela época, por convulsiva que pareça, no fundo era bem mais empolgante que a nossa.

Cotação: BOM

Os homens são de Marte… E é para lá que eu vou [Brasil, 2014]
Depois de 10 anos de sucesso no teatro, a peça de Monica Martelli chega às telas, sob a direção de Marcus Baldini, de Bruna Surfistinha. A própria Monica faz Fernanda uma mulher bem-sucedida nos negócios mas infeliz no amor. Bem, esse é apenas um dos clichês de um filme repleto deles. Fernanda buscará seu parceiro com homens de diferentes personalidades e tipos físicos. Do ricaço cafajeste ao alemão natureba, a infeliz Fernanda prosseguirá em sua odisseia amorosa rumo ao idealizado par perfeito. Sob a capa moderninha, o filme é ultraconservador, com sua idealização do casamento como meta de toda mulher.

Há também dois documentários brasileiros.

Setenta [Brasil, 2013], de Emília Silveira, entrevista os militantes políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1970. Dos 70 que ganharam a liberdade, 18 dão depoimentos neste filme emocionante e, apesar do assunto, muito bem humorado. Como se as pessoas, ao recordar suas histórias, procurassem relativizá-la, lembrando-a numa chave diferente do heroísmo ou da martiriologia habituais nesse caso. Os episódios dramáticos não são esquecidos, e vê-se uma inabitual autocrítica da esquerda em relação a suas opções e trajetória.

Cotação: BOM

A farra do circo [Brasil, 2013], de Roberto Berliner, volta-se para a geração do Circo Voador, a chamada usina do sonho carioca.

 

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