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Em torno do MST

Luiz Zanin Oricchio

15 de maio de 2008 | 17h51

Amanhã sai a minha crítica do documentário O Tempo e o Lugar, de Eduardo Escorel, e então voltaremos ao assunto. Por ora, queria só registrar que vi o filme numa pré-estréia no meio da semana, seguida de debate. E que debate! Fazia tempo que não via a temperatura política subir a esse ponto. E por quê? Porque muita gente na platéia ficou incomodada com o depoimento do personagem principal, Genivaldo Vieira da Silva, um agricultor alagoano, ex-militante do MST e agora feliz proprietário de dois sítios, um em Alagoas, outro na Bahia, onde ele espera encerrar seus dias.

Bem, o filme é polêmico mesmo, e assume como verdade o que bem pode ser fabulação do homem – terem sido treinados por gente do Sendero Luminoso e outras coisas mais. Escorel não é ingênuo, e incorpora ao filme algumas das contradições internas de Genivaldo, mas não de maneira ou em número suficiente para de fato relativizar o que está sendo dito. Mexeu num vespeiro.

Mas é sempre assim quando se fala da política contemporânea. Foi assim com o par de documentários de Eduardo Coutinho e João Moreira Salles – Peões e Entreatos – que punham o foco na figura de Lula, ora como sindicalista, ora como candidato à presidência do País.

Agora é a vez do MST, organização que não é das mais estimadas pela mídia, mas tem seus defensores em vários setores da sociedade que o vêem como ponta-de-lança dos movimentos sociais.

Desse modo, a discussão em torno do filme seria das mais oportunas. Mas desconfio que a excessiva ideologização (de todas as partes) acabe produzindo mais calor do que luz. O momento não é lá muito favorável para a troca de idéias. Esta se dá quando existe um consenso mínimo sobre diferenças que podem ser acolhidas de modo civilizado. Não é bem o caso.

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