Em ‘Samy e Eu’, Ricardo Darín interpreta um Woody Allen portenho
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Em ‘Samy e Eu’, Ricardo Darín interpreta um Woody Allen portenho

Luiz Zanin Oricchio

17 de novembro de 2020 | 20h09

O ator argentino Ricardo Darín é tão bom de bilheteria que as produções nas quais trabalha passaram a ser chamadas de “Darín movies”. Isto é, pouco importa quem as dirige, o tema, e mesmo se o filme é bom ou ruim. Estando Darín à frente do elenco já há motivo para interesse.

Pois bem, mesmo assim, um Darín movie de 2001 passou abaixo do radar brasileiro e só agora encontra-se comercialmente disponível. Trata-se da comédia romântica Samy e Eu, que pode ser alugada no site Belas Artes à la Carte (http://belasartesalacarte.com.br/) por R$ 8,90. 

Em seu segundo longa, o diretor Eduardo Milewicz faz de Darín uma espécie de Woody Allen portenho, com alguns tiques, complexos, bons diálogos, inteligência e a graça do original novaiorquino. Samy é um roteirista de comédias para TV em bloqueio de criação. Pode ser também a crise dos 40 anos que se aproxima. Em todo caso, Samy resolve dedicar-se à literatura. Não contava porém com um encontro de fato notável, com a desinibida Mary, interpretada pela incrível atriz colombiana Angie Cepeda (de Pantaleão e as Visitadoras). 

Ricardo Darín com Angie Cepeda na comédia argentina ‘Samy e Eu’

Entre outras coisas, Mary descobre que talvez Samy, que não é ator, seja o melhor intérprete dos textos que escreve. E também que, quanto mais enrolada estiver sua cabeça, melhores serão esses textos. A própria Mary, com sua vida livre, será um enrosco e tanto na cabeça do rapaz. Ou seja, Samy tira a graça de sua própria infelicidade e de seus problemas mal resolvidos. Em especial, com o sexo oposto como um todo e com Mary em particular. 

O elenco é predominantemente feminino, todas orbitando em torno desse macho agoniado e sedutor. Destaque, além de Angie, para a uruguaia Henny Trayles, que faz a mãe judia superprotetora de Samy. Sim, até nisso o filme dialoga com Woody Allen. Alejandra Darín, irmã do ator, interpreta também sua irmã na ficção. 

Samy e Eu tira sua graça desse tipo de humor autodepreciativo que é a marca registrada da comédia stand up, uma das matrizes do cinema de Allen. Põe no centro da ação cômica as peripécias de uma relação amorosa conturbada, vivida num tempo em que esse tema podia ser abordado sem ofender ninguém ou provocar cancelamentos nas redes sociais. Samy e Eu não chega a ser tão brilhante quanto outros filmes do catálogo Darín, como Nove Rainhas, O Filho da Noiva ou O Segredo dos seus Olhos. Mas garante 85 minutos de boa diversão.

  

 

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