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Em Gramado

Luiz Zanin Oricchio

07 de agosto de 2015 | 17h36

GRAMADO
De novo em Gramado, na serra gaúcha, para mais um festival. Este, que é o 43º, começa daqui a pouco, no Palácio dos Festivais, com um programa que já cheira a maratona. Dois curtas, Bá e Como São Cruéis os Pássaros da Alvorada. E dois longas, o nacional Que Horas Ela Volta? e o mexicano En la Estancia.
Donde você já pode ver o caráter ibero-americano do festival gaúcho, presente no título Festival de Cinema de Gramado – Cinema Brasileiro e Latino. Isso quer dizer que existem duas mostras competitivas, uma brasileira e outra de diversos países de fala ibero-americana, português ou espanhol, em suma.

O primeiro concorrente nacional chega cercado de alguma polêmica. De fato, o filme de Anna Muylaert, com Regina Casé, foi apresentado na Europa e estreou em alguns países europeus. No Brasil, tem batido cabeça com os festivais. Estava na mostra competitiva do Cine Ceará e saiu na última hora. O mesmo acontece agora em Gramado. Era para competir e não vai mais. Passa, apenas, fora de concurso. Já vi o filme e gostei. Vou rever. Toca em questões de classe social, um tema quente no Brasil (para dizer a verdade, em qualquer parte).

Mas, no Brasil, a coisa é mais marcada em função do nosso passado escravocrata, que se estendeu ao presente na figura ambivalente da empregada doméstica. Alguém “da família”, mas que presta serviços à casa. Um estatuto de relação ambíguo, apenas há pouco regulamentado e não sem resistências das patroas. Estas, como se sabe, têm relacionamento complicado com as panelas. Há pouco as descobriram como instrumentos de protesto. Chato mesmo é lavá-las e isso é a empregada quem faz. O filme tem boa interpretação de Regina Casé e se alinha na investigação sobre os vários andares da estrutura social brasileira, ao lado de O Som ao Redor e Casa Grande.

Do mexicano, nada sei. Vamos conferir. Amanhã comento no blog.

 

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