Em busca de Roberto Bolaño
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Em busca de Roberto Bolaño

Vi 'Roberto Bolaño: a Batalha Futura Chile' no quadro da Seleção Rio 2017. Um filme breve, de 63 minutos, para um autor maior. Dirigido por Ricardo House, o doc mostra o escritor chileno falando, polemizando em entrevistas e num debate sobre literatura.

Luiz Zanin Oricchio

16 de novembro de 2017 | 08h40

Estive no Cinesesc para ver Roberto Bolaño: a Batalha Futura Chile, no quadro da Seleção Rio 2017. Um filme breve, de 63 minutos, para um autor maior.

Dirigido por Ricardo House, o doc mostra o que eu nunca havia visto – o escritor chileno falando, polemizando em entrevistas e num debate sobre literatura.

Bolaño viveu pouco e produziu muito. Nasceu em 1953 e morreu de doença hepática em 2003. Seus fãs conhecem de cor suas obras – Os Detetives Selvagens, Noturno Chileno, Amuleto, A Estrela Distante e a catedral literária, publicada de maneira póstuma, 2666. A edição da Anagrama, que comprei em Lima, no Peru, tem nada menos que 1128 páginas. Era para ser dividido em quatro livros. Acabou saindo como romance único. É o certo.

Enfim, Bolaño. Nasceu no Chile, viveu sua adolescência e começo de juventude na Cidade do México, mudou-se para a Catalunha. Morou em Blanes, cidade marítima próxima de Barcelona, onde morreu à espera de um transplante que não veio a tempo.

Acho Bolaño um escritor incrível. Na década passada foi, para mim, a maior revelação literária. Seus textos são cheios de imaginação e provocativos. Fala do seu grupo (como em Detetives Selvagens, para muitos sua obra-prima). Fala de poetas, literatos, mulheres e homens desajustados. Seus textos contêm uma surpresa atrás da outra. Prosa libertária, poética. É dotado da vocação da legibilidade, aquele tipo de texto atraente, que enreda o leitor e não o deixa escapar. Tem, também, o dom do labirinto e não deixa, às vezes, de lembrar Cortázar e Borges, seus vizinhos argentinos.

Bolaño é chileno ou universal? Eis aí um tema polêmico abordado pelo filme. É escritor que passou a maior parte da vida fora do seu país de origem. Sua formação de juventude é mexicana. Depois foi à Europa. Voltou para o Chile pois simpatizava com a Unidade Popular, de Salvador Allende. Com o golpe, saiu de novo.

Em entrevista, Bolaño defende que sua pátria é o idioma espanhol. (Assim como Fernando Pessoa havia dito que a dele era a língua portuguesa).

Pelo que diz, e pela forma como diz, nota-se que era pessoa pouco cordata, pouco dada a consensos. Disposto à polêmica, enfrenta, numa gravação radiofônica, uma jornalista e a coloca em posição subalterna em relação ao escritor – velho preconceito nunca resolvido sobre as relações entre artistas e críticos.

De qualquer forma, Roberto Bolaño: a Batalha Futura Chile é um documento raro, que enriquece a experiência com a obra do autor. Não sei onde encontrar o filme. Mas se topar com ele por aí, não deixe de vê-lo. Em especial se você for bolañista militante, como eu.

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