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Eleição e maratona

Luiz Zanin Oricchio

29 de outubro de 2006 | 23h11

Dia de eleição, votei cedo e caí no cinema. Comecei por Mestres Americanos John Ford/John Wayne: o Cineasta e a Lenda, emendei com dois italianos, Lettera Aperta a um Giornale della Sera e Os Nossos 30 Anos – Gerações em Confronto, e ainda finalizei com um Sokúrov memorável, O Sol. Ufa! Estou chegando agora em casa e postando isso aqui às pressas.

Posso dizer que a dica que o Merten havia me dado sobre Mestres Americanos era certeira. Pelas carreiras cruzadas de Wayne e Ford, que fizerem 14 filmes juntos (inclusive os clássicos No Tempo das Diligências, O Homem que Matou o Facínora e Rastros de Ódio), passa também uma boa parte da história americana. Esse reflexo entre o que acontece na tela e na História é uma das leituras mais interessantes que se podem fazer do cinema. No caso, as mutações ao longo do tempo da épica americana mais característica, o faroeste.

Também de política se fala tanto na ficção de Francesco Maselli (Lettera Aperta…) como no documentário de Giovanna Taviani (Os Nossos 30 Anos). No centro dos dois, as mutações de perspectiva do país diante da revolução (que não aconteceu), das utopias (que dançaram) e da própria História (que, ao contrário do que diz Fukuyama, não acabou). Tudo resta em aberto e a lição que fica é que manter esperança é ainda a única forma de continuar vivo. Mesmo nesta época cética.

Encerrei com O Sol, extraordinária reflexão (porque não há outro nome para definir este filme) do russo Alexander Sokúrov sobre o imperador Hiroito que, com a derrota na guerra, teve de aceitar a renúncia de sua condição divina para ser aceito pelos vencedores, os americanos. Um filme de rara delicadeza e profundidade. Enfim, foi um dia exaustivo, mas muito, muito produtivo. Valeu, cinema.

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