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Earth abre evento com o tema da sobrevivência

Luiz Zanin Oricchio

14 de novembro de 2007 | 17h40

MANAUS

O 4º Amazonas Film Festival continua sua série de homenagens. Jean-Jacques Annaud recebeu seu prêmio no palco do Teatro Amazonas e Dira Paes e John Boorman se reencontraram, simbolicamente, no ‘encontro das águas’. Sim, o registro do reencontro da atriz e do diretor de A Floresta de Esmeraldas, ocorreu num barco, no ponto em que o rio Negro e o Solimões se reúnem. Boorman deu à sua atriz de 23 anos atrás um exemplar o diário de filmagens e recebeu de volta a declaração da atriz de que ter trabalhado naquele filme mudara a sua vida.

Enquanto isso, rola no Teatro Amazonas uma seqüência de longas das mais interessantes. A começar pelo filme de abertura, fora de competição, Earth (Reino Unido/Alemanha), de Alastair Fothergill e Mark Linfield, ecológico sem ser chato. O documentário segue a linha de observação da vida dos animais, dramatizando-as e, no limite, transformando-as numa aventura na qual a recompensa principal é a própria sobrevivência. A platéia empolgou-se como se visse um filme de aventuras.

Aventura, agora ficcional, também houve no primeiro concorrente, Horse Thieves (Ladrões de Cavalos), do belga Micha Wald, que veio a Manaus. Quando lhe perguntam por que resolveu fazer esse tipo de filme, Micha disse que era o que gostava de ver quando criança. Ele conta as histórias de dois irmãos que se alistam como cossacos no exército imperial russo, e outros dois irmãos, os ladrões de cavalo do título. Boas cenas de ação, à moda antiga, sem efeitos especiais. O filme agradou à pequena platéia reunida em horário ingrato (11 h da manhã).

Já o único brasileiro em concurso entre os filmes de ficção, Signo da Cidade, de Carlos Alberto Riccelli, foi muitíssimo bem recebido por um Teatro Amazonas lotado. O casal Riccelli-Bruna Lombardi (a protagonista e roteirista) ficou muito emocionado com a reação do público.

Qual a ‘aventura’ de Teca, a personagem de Bruna? Viver numa cidade implacável, tentar dar sentido à própria vida e, ainda, ajudar os outros. Ela, que é astróloga, se torna o centro de várias histórias cruzadas, um velho que vai morrer, uma criança não desejada que está para nascer, uma mulher que quer ser amada, um homem que deseja apenas se dar bem. Riccelli tentou captar a beleza áspera de São Paulo e seus habitantes.

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