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Diário de Brasília (15): É Proibido Fumar ganha o Festival de Brasília

Luiz Zanin Oricchio

25 de novembro de 2009 | 01h10

É Probido Fumar, da diretora paulistana Anna Muylaert, foi o grande vencedor do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ganhou ao todo nove prêmios; além do de melhor filme, faturou atriz (Gloria Pires), ator (Paulo Miklos), crítica, montagem, trilha sonora, direção de arte, roteiro, atriz coadjuvante. O filme conta a história de uma professora de violão solteirona (Gloria), que vive um complicado caso de amor com seu novo vizinho, o músico Max (Paulo Miklos, dos Titãs). A história começa como comédia rasgada, depois muda de rumo e cria suspense na plateia. Seu desfecho, subversivo do ponto de vista ético, causou alguma polêmica entre os espectadores. O filme tem pré-estreia nesta quinta-feira, às 21h, no Cine Bristol e entra no circuito dia 4 de dezembro.

Alguns prêmios importantes ficaram com outros filmes: o Prêmio Especial do Júri e o Júri Popular foram para Filhos de João, do diretor Henrique Dantas, sobre o Grupo Novos Baianos. O músico e cantor Moraes Moreira estava em Brasília e subiu ao palco para receber o prêmio com o elenco. Comemorando, com a bandeira do Bahia (que escapou no descenso na 2ª divisão), puxou o coro com a plateia com um dos seus grandes sucessos, Preta Pretinha. O Cine Brasília veio abaixo.

Quebradeiras ganhou os prêmios de som, fotografia e direção (Evaldo Mocarzel), justo reconhecimento a esse documentário sobre as quebradeiras de coco-babaçu do Maranhão.

Já O Homem Mau Dorme Bem, de Geraldo Moraes, recebeu apenas o troféu de ator coadjuvante, para Bruno Torres.

Perdão, Mister Fiel e A Falta que me Faz ficaram sem qualquer prêmio do Júri Oficial. No primeiro caso, tomou-se a decisão justa pois esse documentário sobre o assassinato do operário Manoel Fiel Filho no Doi-Codi, em 1976, era de fato o título mais fraco do festival, um equívoco da comissão de seleção.

Já o esquecimento de A Falta que me Faz, de Marília Rocha, foi o grande pecado do júri. Não poderia ter se omitido diante de um documentário tão belo, poético e inovador quanto este. Pena.

O anúncio do prêmio de melhor curta-metragem foi a grande surpresa da noite. Quando todos esperavam que Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho, consagrado depois de já ter recebido inúmeros prêmios fosse também faturar o principal, de melhor filme, anunciou-se o grande vencedor: Ave Maria ou a Mãe dos Sertanejos, de Camilo Cavalcante.

Tirando a omissão com A Falta que Ela Faz, não se pode fazer grande reparo à premiação. Foi um bom resultado, digno de um belo festival. Brasília, que no ano passado fez uma das piores edições de sua história, em 2009 recuperou-se.

Abaixo, a premiação completa.

PRÊMIOS OFICIAIS – TROFÉU CANDANGO

LONGA-METRAGEM EM 35MM

MELHOR FILME (JÚRI OFICIAL) – R$ 80.000,00

FILME: “É PROIBIDO FUMAR”, DE ANNA MUYLAERT

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – R$ 30.000,00

FILME: “FILHOS DE JOÃO, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO”, DE HENRIQUE DANTAS

PRÊMIO JÚRI POPULAR

MELHOR LONGA-METRAGEM EM 35MM – R$ 30.000,00

E AINDA

PRÊMIO EXIBIÇÃO TV BRASIL
R$ 30 MIL AO MELHOR LONGA-METRAGEM E O TÍTULO PREMIADO INTEGRARÁ A PROGRAMAÇÃO DA EMISSORA.
FILME: “FILHOS DE JOÃO”, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO, DE HENRIQUE DANTAS

MELHOR DIREÇÃO – R$ 20.000,00

EVALDO MOCARZEL (“QUEBRADEIRAS”)

MELHOR ATOR – R$ 10.000,00

PAULO MIKLOS (“É PROIBIDO FUMAR”)

MELHOR ATRIZ – R$ 10.000,00

GLÓRIA PIRES (“É PROIBIDO FUMAR”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – R$ 5.000,00

BRUNO TORRES (“O HOMEM MAU DORME BEM”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – R$ 5.000,00

DANI NEFUSSI (“É PROIBIDO FUMAR”)

MELHOR ROTEIRO – R$ 10.000,00

ANNA MUYLAERT (“É PROIBIDO FUMAR”)

MELHOR FOTOGRAFIA – R$ 10.000,00

GUSTAVO HADBA (“QUEBRADEIRAS”)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE – R$ 10.000,00

MARA ABREU (“É PROIBIDO FUMAR”)

MELHOR TRILHA SONORA – R$ 10.000,00

MÁRCIO NIGRO (“É PROIBIDO FUMAR”)

MELHOR SOM – R$ 10.000,00

E AINDA

PRÊMIO DOLBY: CONSISTE NA LICENÇA PARA USAR O SISTEMA DE SOM DOLBY (EQUIVALENTE A QUATRO MIL DÓLARES).

MIRIAM BIDERMAN, RICARDO REIS E ANA CHIARINI (“QUEBRADEIRAS”)

MELHOR MONTAGEM – R$ 10.000,00

PAULO SACRAMENTO (“É PROIBIDO FUMAR”)

CURTA OU MÉDIA-METRAGEM EM 35MM

MELHOR FILME (JÚRI OFICIAL) – R$ 20.000,00

FILME: “AVE MARIA OU A MÃE DOS SERTANEJOS”, DE CAMILO CAVALCANTE

PRÊMIO JÚRI POPULAR

MELHOR CURTA-METRAGEM EM 35MM – R$ 20.000,00

E AINDA

PRÊMIO MEGACOLOR/ ESTUDIOS MEGA

R$ 8.000,00 EM SERVIÇOS DO ESTUDIOS MEGA E R$10.000,00 EM SERVIÇOS DO MEGACOLOR

FILME: “RECIFE FRIO”, DE KLÉBER MENDONÇA

MELHOR DIREÇÃO – R$ 10.000,00

KLÉBER MENDONÇA FILHO (“RECIFE FRIO”)

MELHOR ATOR – R$ 5.000,00

ELENCO MASCULINO DE “A NOITE POR TESTEMUNHA” (ALESSANDRO BRANDÃO, ANDRÉ REIS, DIEGO BORGES, IURI SARAIVA E TÚLIO STARLING)

MELHOR ATRIZ – R$ 5.000,00

MARIAH TEIXEIRA (“ÁGUA VIVA”)

MELHOR ROTEIRO – R$ 5.000,00

KLÉBER MENDONÇA FILHO (“RECIFE FRIO”)

MELHOR FOTOGRAFIA – R$ 5.000,00

BETO MARTINS (“AVE MARIA OU A MÃE DOS SERTANEJOS”)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE – R$ 5.000,00

VICENTE SALDANHA (“OS AMIGOS BIZARROS DO RICARDINHO”)

MELHOR TRILHA SONORA – R$ 5.000,00

MARCUS SIQUEIRA E THIAGO CURY (“A NOITE POR TESTEMUNHA”)

MELHOR SOM – R$ 5.000,00

NICOLAS HALLET (POR “AVE MARIA OU A MÃE DOS SERTANEJOS” E “AZUL”)

MELHOR MONTAGEM – R$ 5.000,00

GUILE MARTINS (“BAILÃO”)

CURTA-METRAGEM DIGITAL

MELHOR FILME (JÚRI OFICIAL) – R$ 15.000,00

“ENSAIO DE CINEMA”, DE ALLAN RIBEIRO

MELHOR DIREÇÃO – R$ 10.000,00

MAURÍCIO OSAKI – “LEMBRANÇA”

MELHOR ATOR – R$ 5.000,00

JOÃO VÍTOR D’ALVES – “OBRA-PRIMA”

MELHOR ATRIZ – R$ 5.000,00

LARISSA SARMENTO – “MAS NA VERDADE UMA HISTÓRIA SÓ”

MELHOR ROTEIRO – R$ 5.000,00

THEREZA JESSOURON – “DOIS MUNDOS”

MELHOR FOTOGRAFIA – R$ 5.000,00

PIERRE DE KERCHOVE – “LEMBRANÇA”

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE – R$ 5.000,00

HENRIQUE DANTAS – “APREÇO”

MELHOR TRILHA SONORA – R$ 5.000,00

VÍTOR ARAÚJO – “DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ”

MELHOR SOM – R$ 5.000,00

RENATO CALAÇA – “DOIS MUNDOS”

MELHOR MONTAGEM – R$ 5.000,00

JIMI FIGUEIREDO – “QUASE DE VERDADE”

OUTROS PRÊMIOS

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Exclusivo para produções do Distrito Federal

O júri celebra o aumento da produção e elevado nível da qualidade dos filmes concorrentes. Tal quadro nos levou a sugerir nos próximos anos que a premiação se estenda a técnicos e atores. Neste ano o júri inova ao conceder dois prêmios especiais para homenagear a produção local. São eles:

Pelo trabalho pioneiro no desenho de som e finalização, constante em vários filmes no decorrer da história do cinema brasiliense e nesse festival presente em sete filmes. o júri homenageia DIRCEU LUSTOSA

Por sua participação em vários filmes de Brasília como roteirista, produtor e ator nesse ano visto no filme Galinha Preta e também por estar na vanguarda do trabalho social, do cinema e da fé, o júri homenageia RONALDO D’ OXUM.

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Melhor longa em 35mm R$ 75.000,00
E ainda Prêmio Quanta
R$ 10.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria

FILME: “PERDÃO MISTER FIEL”, DE JORGE OLIVEIRA

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Melhor longa em 35mm R$ 35.000,00
2º lugar em classificação
FILME: “O HOMEM MAU DORME BEM”, DE GERALDO MORAES

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Melhor média ou curta em 35mm R$ 20.000,00

E ainda Prêmio Quanta
R$ 8.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria

FILME: “VERDADEIRO OU FALSO”, DE JIMI FIGUEREDO

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Melhor média ou curta em 35mm R$ 10.000,00

2º lugar em classificação
FILME: “DIAS DE GREVE”, DE ADIRLEY QUEIRÓS

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Melhor filme Digital R$ 10.000,00

E ainda Prêmio Quanta
R$ 4.000,00 em equipamentos de iluminação e maquinaria

FILME: “EL CINE NO MUERTO”, DE ANDRÉ MIRANDA

AQUISIÇÃO CANAL BRASIL

Cessão de um Prêmio de Aquisição, no valor de R$ 10.000,00, ao Melhor Curta 35mm selecionado pelo júri Canal Brasil.

FILME: “RECIFE FRIO”, DE KLÉBER MENDONÇA

PRÊMIO DA CRÍTICA – TROFÉU CANDANGO
Melhor longa 35mm

FILME: “É PROIBIDO FUMAR”, DE ANNA MUYLAERT

PRÊMIO DA CRÍTICA – TROFÉU CANDANGO
Melhor curta em 35mm.

FILME: “RECIFE FRIO”, DE KLÉBER MENDONÇA

PRÊMIO ABCV DF 2009

Troféu conferido pela Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo do Distrito Federal ao Melhor Curta em 35mm do Distrito Federal.

FILME: “SENHORAS”, DE ANDRIANA VASCONCELOS

PRÊMIO VAGALUME

Troféu conferido por integrantes do projeto Cinema para Cegos, da Diretoria de Inclusão Sociocultural, da Secretaria de Cultura do DF

Melhor Longa 35mm.

FILME: “FILHOS DE JOÃO, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO”, DE HENRIQUE DANTAS

PRÊMIO VAGALUME

Melhor Curta 35mm

FILME: “RECIFE FRIO”, DE KLÉBER MENDONÇA

PRÊMIO SARUÊ
Conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense.

PELO ARREBATAMENTO QUE A EXIBIÇÃO PROVOCOU NOS ESPECTADORES, PELA ORIGINALIDADE E CRÍTICA SOCIAL CONTIDAS NA OBRA E PELA PRESENÇA VIBRANTE DE DONA LIA DE ITAMARACÁ NA TELA DO CINE BRASÍLIA, A EQUIPE DE CULTURA DO CORREIO BRAZILIENSE DESTINA O PRÊMIO SARUÊ AO CURTA-METRAGEM RECIFE FRIO, DE KLEBER MENDONÇA FILHO.

MARCO ANTÔNIO GUIMARÃES – TROFÉU CANDANGO
Conferido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro para o filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica brasileira.

FILME: “FILHOS DE JOÃO, ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO”, DE HENRIQUE DANTAS

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