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E o audiovisual chegou à Notre-Dame

Luiz Zanin Oricchio

10 de setembro de 2007 | 18h00

PARIS – Jantei, fui dar uma caminhada para fazer a digestão e meus passos me levaram diante da Notre-Dame. Fiquei olhando a velha igreja de longe, fui me aproximando, vi que ainda estava aberta, o que não era normal. Entrei, pensando que poderia ser algum concerto de órgão, mas estes, eu me lembrava, eram sempre aos domingos.

Mas não. Era a apresentação de um filme, um documentário, bem-feito aliás, sobre os nove séculos da catedral. O filme era projetado sobre uma tela, uma espécie de tecido transparente, pendurada um pouco à frente do altar. Havia centenas de pessoas nos bancos assistindo, e aquela tela, flutuando no ar, meio diáfana, dava dimensão ainda mais misteriosa aos imensos espaços da igreja que permaneciam às escuras.

Gostei ainda mais porque havia várias citações de Victor Hugo e seu livro, O Corcunda de Notre-Dame, tantas vezes levado ao cinema, e que li tantas vezes, a primeira delas na infância, certamente em versão condensada. No cinema, acho que o corcunda mais famoso é o Charles Laughton, mas posso estar enganado.

Gostei de ficar sabendo que o sucesso do livro de Hugo, no século 19, acabou por desencadear uma campanha de restauração da igreja que, diz o vídeo apresentado, estava na época em condições lamentáveis.
Pode-se dizer que essa magnífica catedral de pedra e vitrais foi salva por uma catedral de palavras.

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