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E aí, seleção?

Luiz Zanin Oricchio

29 de maio de 2012 | 09h02

Melhor falar pouco desse início meia boca do Campeonato Brasileiro. Duas rodadas, com os paulistas começando muito mal, e agora uma interrupção para as datas Fifa, um espaço para os jogos da seleção brasileira. Não há por que se queixar. Todos nós sempre reivindicamos que os jogos da seleção não trombassem com outros disputados pelos times, em especial aqueles que têm jogadores convocados. Nada mais justo, portanto, que essa pausa.

Será bem aproveitada? O começo não foi mal. Pelo menos vimos um bom primeiro tempo contra a Dinamarca, com três gols, e depois, o relaxamento “natural” no segundo tempo, quando o jogo ficou muito tedioso e a Dinamarca marcou o seu, ainda que impedido. Agora temos pela frente os Estados Unidos, o México e a Argentina. São bons desafios e poderão dar alguma ideia do que poderá fazer a seleção na Olimpíada.

Talvez possa trazer a medalha de ouro, a nova “obsessão” nacional. E por que coloquei obsessão entre aspas? Porque não acredito nela. Acho que é algo que estão tentando nos vender. Eu, pelo menos, e todas (mas todas mesmo) pessoas que me cercam, não estão nem um pouco obcecadas com a medalha olímpica. Se vier, legal. Se for impossível, não é isso que vai mudar o preço do dólar.

Obsessão mesmo, se o termo cabe, é com a Copa do Mundo. Vai ser muito triste se o Brasil realizar a sua segunda copa e não ganhar de novo, como aconteceu em 1950, na famosa catástrofe do Maracanã diante do Uruguai. E quem pode dizer, hoje, que o Brasil é favorito para 2014? Não é. Em termos técnicos, está atrás de, pelo menos, três seleções – Espanha, Alemanha e Holanda. Talvez atrás, até mesmo, do Uruguai, que fez uma bela figura na última copa, enquanto nós tivemos desempenho pífio. E que dizer da Argentina, sempre difícil? E se Messi resolve jogar a mesma coisa que joga pelo Barcelona, o que será de nós?

Enfim, visto de hoje, o nosso destino na próxima copa é mais do que incerto. Daí a importância da Olimpíada. Não tanto trazer o famoso ouro, mas ver até que ponto os nossos jovens podem ir. Porque, com alguns reforços que receberá dos mais velhos, o time olímpico será mesmo a base para 2014. Ou alguém vislumbra outros nomes que não os de Neymar, Pato, PH Ganso, Leandro Damião, Lucas & Cia?

Outro desafio será devolver à seleção o interesse que o torcedor lhe devotava em outras eras. Essa paixão tornou-se exclusiva dos clubes. O torcedor morre por seu clube de coração. Não vejo o mesmo amor pela seleção. Lembro da época em que a seleção era o máximo para todos nós. Não conseguíamos dormir em véspera de jogos de Copa do Mundo, tamanha a tensão. Era uma loucura, uma grande história de amor entre o torcedor e a seleção que, infelizmente, arrefeceu. Nem poderia ser de outra maneira. Depois de décadas vendo seleções que não tinham sequer um jogador do Brasil convocado, depois de vê-la excursionar por todos os países, menos em sua própria terra, era previsível que a baixasse e se tornasse apenas uma vaga simpatia. Conseguiremos reverter essa relação morna durante a Copa e fazê-la entrar de novo em ponto de ebulição? Talvez, mas não tenho certeza.

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