E a manhã tropical se inicia…
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E a manhã tropical se inicia…

Luiz Zanin Oricchio

09 de outubro de 2006 | 20h52

Estou lendo o bonito livro de Jefferson Del Rios, Bananas ao Vento (editora Senac). Estranhou o título? Trata-se de um verso de Geléia Geral, de Torquato Neto, música de Gilberto Gil, um dos momentos-chave daqueles anos. O livro de Del Rios tem como subtítulo Meia Década de Cultura e Política em São Paulo. Quer dizer, vai de 1964 – ano do golpe militar e também do primeiro O Fino da Bossa – terminando em 4 de novembro de 1969, quando o guerrilheiro Marighella foi morto na Avenida Casa Branca, nos Jardins, enquanto o Santos de Pelé enfrentava o Corinthians no Pacaembu. Pelas páginas do livro passam os personagens da cena cultural paulistana em seus anos talvez mais intensos: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Zé Celso, Plínio Marcos, Augusto Boal, mas também os estudantes da Maria Antonia, os vestibulandos do Cursinho Equipe, o Tuca, a USP, a PUC. Bares como o Redondo, onde se reunia a classe teatral, e o Sem Nome, onde Chico Buarque tocava violão e bebia cachaça, eram pontos de encontro e conspiração. Tempos.

O livro contribui para a reconstrução da memória paulistana durante a fase mais frenética de oposição ao governo militar, que se estendeu do golpe até o AI-5 (em 13 de dezembro de 1968). Junta-se a outros, como Maria Antônia: uma Rua na Contramão, de Maria Cecília Loschiavo dos Santos, e Iara, de Judith Patarra, sobre a guerrilheira Iara Iavelberg, que foi companheira de Lamarca e namorada de José Dirceu. Jefferson Del Rios é jornalista e escreve muito bem. Sua descrição do tempo é vívida, sem frescuras, com a emoção na dose boa. Serve como aide-mémoire para quem viveu aqueles tempos. Serve como apresentação de um outro tipo de mentalidade para os mais jovens.

vento

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