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Duas notas: Schettino e o BBB

Luiz Zanin Oricchio

20 de janeiro de 2012 | 10h45

1) Passo de forma lateral sobre essa história do BBB e do suposto estupro. Não acompanho nada disso, sorry, porque tenho mais o que fazer. Mas assisti à leitura da nota oficial da Globo, ontem, durante o Jornal Nacional. Vi alegações de advogados, e ponderações muito sisudas dos apresentadores, como se tratassem do assunto mais sério do mundo. Perdão, mas a história toda é de um ridículo atroz, e não sei como os envolvidos, a começar pelos participantes e terminando pela própria TV, não morrem de vergonha. Em tempos mais bem humorados, o tema seria objeto do riso universal.

2) Já o naufrágio do Costa Concordia seria outro caso de ridículo supremo, não tivesse terminado de forma trágica, com o custo de vidas humanas. Um mastodonte daqueles, encalhar nas rochas por, supõe-se, um ato de exibicionismo do comandante, é o fim da picada. O affair do capitão covarde tem sido comentado de várias formas, algumas inteligentes. A  Itália, numa profunda crise de identidade pós-Berlusconi, tomou-o como fato simbólico: afinal, somos uma nação de Schettinos ou de De Falcos? Não está na hora de todos dizermos, como De Falco, “Vada a bordo, cazzo” ?

Li hoje, na Folha, a brilhante análise de Contardo Calligaris sobre o tema da covardia. Cita vários autores, incluindo Shakespeare. Estranho é que ninguém, que eu saiba, tenha feito a ligação do caso do capitão italiano com uma das mais célebres obras da literatura, Lorde Jim, de Joseph Conrad, que trata exatamente disso, do ato covarde que persegue o homem ao longo da vida. E no ambiente náutico, ainda por cima, o mesmo do malfadado Capitão Schettino.

Será que ninguém mais lê Conrad hoje em dia?

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