‘Druk’, um espetacular documentário sobre a Colômbia, e outras dicas
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‘Druk’, um espetacular documentário sobre a Colômbia, e outras dicas

Luiz Zanin Oricchio

28 de março de 2021 | 19h45

 

Druk – Mais uma Rodada é a principal estreia da semana. Entra em salas, onde os cinemas estiverem abertos, e também no streaming (Now, iTunes, Apple TV, Google Play, Youtube Filmes). Concorre a dois Oscars – melhor filme internacional e melhor diretor (Thomas Vinterberg). A história, provocativa, é a de quatro amigos, todos professores, que testam a tese segundo a qual os seres humanos têm uma carência de 0,05% de álcool no sangue. Ou seja, uns drinques ajudam a viver. Mas longe de ser uma apologia da bebedeira, o filme é uma celebração da vida, um libelo contra a rotina e acomodação. Junto com Lars von Trier, Vinterberg é um expoente do chamado Dogma 95, importante movimento cinematográfico dinamarquês que teve grande influência nos anos 1990.  O destaque é Mads Mikkelsen, excelente ator, que já trabalhou com Vinterberg em A Caça, no qual faz um professor injustamente acusado de pedofilila.  

Outra pedida é o premiado documentário Colômbia era Nossa (Colombia in my Arms) da dupla finlandesa Jenni Kivisto e Jussi Rastas, que desvenda o complicado pós-acordo de paz de 2016 entre as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o governo. Complexo e polifônico, o filme ouve os guerrilheiros, mas também a elite colombiana e membros do Parlamento. Dá ideia de como é difícil chegar a um acordo de paz em um país tão desigual, marcado pela violência e com uma elite predadora no comando da nação. Está na Amazon Prime e Google Play. 

Outro filme-bomba também chega aos serviços de streaming (Amazon): o mexicano Nova Ordem, de Michel Franco, que abriu a mostra de cinema de São Paulo ano passado. Um casamento de elite é invadido por um grupo guerrilheiro que toma os convidados como reféns. A esse fato, segue-se um golpe de estado no país. Uma distopia violenta, que, através da ficção, nos joga no olho do furacão dos tempos atuais. 

Continua valendo a sugestão para os que gostam do “cinema de arte” que é o Belas Artes à la Carte (http://belasartesalacarte.com.br/), detentor de um catálogo dos mais poderosos. Entra agora a mostra Expressionismo Alemão, com filmes importantes desse importante movimento artístico: Nosferatu, A Morte Cansada, As Mãos de Orlac, Metrópolis, M: o Vampiro de Dusseldorf, A Última Gargalhada. São obras-primas do cinema mundial. Para nós têm um interesse em particular porque apareceram numa época de incertezas sociais, chocadeira do ovo da serpente do nazismo. Leia-se o estudo fundamental de Kracauer, De Caligari a Hitler.  

Aqui já antecipo uma grande pedida para 1 de abril, que é o dia da mentira e também do aniversário do golpe de 1964, que seus promotores, espertamente, comemoram um dia antes. Mas a Mostra Miguel Littín é de verdade. E é madeira de lei. Na retrospectiva, a partir da próxima quinta-feira, obras fundamentais como Chacal de Nahueltoro, Actas de Chile e Actas de Marusia. Exilado, e integrante de uma lista de inimigos do regime de Pinochet, que não poderiam voltar ao país, Littin aventurou-se a entrar disfarçado no Chile e filmar as reais condições do país. A proeza deu origem ao livro de Gabriel García Márquez A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile. Narrado em primeira pessoa, o livro é fruto de uma entrevista de 16 horas concedida pelo cineasta ao escritor. 

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