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Dreamgirls

Luiz Zanin Oricchio

19 de fevereiro de 2007 | 10h51

Baseado livremente na trajetória do grupo The Supremes, Dreamgirls tem o encanto adicional de revelar uma circunstância comum – e cruel – no mundo do show biz: nem sempre os mais talentosos são os que vencem. No caso, a gordinha Effie (Jennifer Hudson) é a voz e alma do conjunto. Mas, em determinado momento-chave da carreira, ela será preterida pelo rostinho mais bonito e corpão de Deena (Beyoncé Knowles).

Se Deena tem predicados mais evidentes, Effie será a voz marcante, de personalidade, de assinatura, como ela mesma diz na briga com colegas e empresários. Esse conflito é central na trama de Dreamgirls e dá sentido a um filme que, de outra forma, não iria além do passatempo agradável. O conflito se estende do campo profissional ao leito conjugal quando o empresário Curtis Taylor, que projeta o futuro do grupo com expedientes nem sempre éticos, abandona Effie e se junta a Deena. Essa ciranda amorosa apimenta a trama, mas não chega a lhe dar um tempero de fato saboroso.

O filme é todo cantado, inclusive alguns diálogos, o que dificulta a entrada no clima para quem tem alergia a musicais. Começa com uma trilha bem interessante, de blues e souls, até cair na mesmice do pop, o que também é um comentário, embora talvez involuntário, sobre a involução da música popular americana ao longo dos anos.

A linha de ação lembra muito o brasileiro Antônia, de Tata Amaral, que está em cartaz: um grupo musical feminino que não consegue administrar sua trajetória ascendente e acaba se diluindo. E, depois, o esforço para juntar o que se perdeu. Essa circularidade dá certo encanto a um filme às vezes bonito, convencional e irregular, que conseguiu a façanha de ser o detentor do maior número de indicações para o Oscar deste ano – nada menos do que oito. Veremos quantas redundam em prêmios.

(SERVIÇO)Dreamgirls – Em Busca de um Sonho (Dreamgirls, EUA/ 2006, 131 min.) – Drama. Dir. Bill Condon. 12 anos. Em grande circuito. Cotação: Regular

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