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Dorival

Luiz Zanin Oricchio

16 de agosto de 2008 | 11h51

Soube agora da morte de Dorival Caymmi, aos 94 anos. Engraçado, a notícia não deveria ser surpresa para ninguém. Dorival estava velho e estava doente. A natureza segue seu curso. Mas existem pessoas que a gente, no imaginário, acha que vão viver para sempre. Porque nos acompanharam desde a infância e nos acostumaram à sua presença. Dorival era um desses artistas que impregnam todo o imaginário de um país com sua presença. Parecem imortais. Talvez sejam.

Não dá nem de leve para, no momento do choque, fazer uma avaliação crítica da obra de Dorival. Meio ao acaso, vou me lembrando de momentos de grande emoção vividos através da sua obra. Um deles: ele cantando sua Suíte dos Pescadores no show da boate Zum Zum com Vinicius de Morais, Quarteto em Cy e Quarteto de Oscar Castro Neves. Quando entrava aquela voz grave, cheia, cantando, todo mundo se arrepiava. Era uma epifania. Continua sendo, pois a gravação existe.

Dorival era isso, um sólido, vigoroso entroncamento de tendências. Sua voz vinha do fundo do povo, era depositário de um sentimento popular longamente depurado e lapidado por sua sábia e proverbial preguiça. Suas Canções Praieiras são obra de mestre e ficaram gravadas na memória musical de várias gerações. É doce morrer no Mar; Coqueiro de Itapoã, Dora, Marina…tantas canções, tão inspiradas, tão particulares, tão universais. Parecem tão simples. Mas, como se sabe, foram esculpidas com todo o cuidado, meticulosamente pelo autor.

Dorival foi um dos grandes, de todos os tempos. Salve.

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