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Dois textos antigos sobre Bruna Surfistinha, o filme

Luiz Zanin Oricchio

19 de julho de 2019 | 10h40

O valor de Bruna Surfistinha

 

 

Luiz Zanin Oricchio

09 de abril de 2007 | 10h25

Um amigo me manda e-mail indignado com o que leu na matéria da Folha de domingo sobre o projeto de adaptação cinematográfica de O Doce Veneno do Escorpião, livro de memórias da ex-prostituta Bruna Surfistinha. Segundo a matéria, o projeto foi considerado pela Ancine apto a captar R$ 263 mil, apenas para a fase de desenvolvimento de roteiro. Dinheiro de renúncia fiscal. Dinheiro público, portanto. Diz este amigo que o normal é que se peça em torno de R$ 50 mil para esta fase do trabalho, que consiste em transformar o livro em roteiro. Por que os preços de Bruna Surfistinha estão inflacionados?

 

 

Caso Surfistinha: um tal filme não pode ser financiado?

 

Luiz Zanin Oricchio

09 de abril de 2007 | 23h38

Levantei o caso Bruna Surfistinha porque, alertado por um colega, estranhei os valores envolvidos. Bem, esse é um ponto. O outro, é acharmos que, por ser o livro de memórias de uma prostituta, não pode ser financiado. E por que não? Não pode dar um bom filme? Não digo que vá ser. Mas não pode acontecer de virar um filme interessante? Coloco isso como questão, companheiros. Não tenho certezas. Há temas “nobres” e temas “vis”? E quem decidiria qual é um e qual é outro? Uma comissão de notáveis? Um colegiado moral de senhoras de Santana? Uma representação com vários extratos da sociedade? O fato é que o blog dessa senhorita, filha da classe média e que se prostituiu ao sair de casa, virou uma febre na internet. O livro, tirado do blog, vendeu 250 mil exemplares num país em que as tiragens são de 3 mil e encalham. O que isso quer dizer? Talvez muita coisa. Mas, numa primeira leitura, o óbvio: não existe tema que mais interesse às pessoas do que sexo. S-E-X-O. E existe uma ancestral fantasia em relação à prostituta. Ainda mais “próxima” de todos nós porque não se prostitui por “necessidade”, como reza o clichê. Enfim, a Surfistinha tem um quê de mistério, que fascina, repulsa e, sobretudo, desperta curiosidade. Nas mãos de um diretor de talento pode dar um bom filme, por que não? E, digamos sem hipocrisias, pode ser um estouro de bilheteria, que é uma exigência que vem sendo feita ao cinema financiado com dinheiro público. Ou será que um projeto desses deveria ser impugnado? Em nome de quê? Da moral e dos bons costumes? Pensemos.