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Dois brasileiros, bem brasileiros, na Mostra

Luiz Zanin Oricchio

21 de outubro de 2006 | 11h34

Três Irmãos de Sangue (Cine Bombril 1, 12h) e Nzinga (Cine Bombril 2, 18h20) são duas boas atrações brasileiras hoje na Mostra. Os três irmãos a que se refere a diretora Ângela Patrícia Reiniger são Henfil, Betinho e Chico Mário. O cartunista, o sociólogo exilado, o músico. Os três de esquerda, opositores do regime militar, talentosos, obstinados. Os três, hemofílicos que morreram prematuramente de Aids, adquirida através da transfusão de sangue contaminado. Um belo e emocionante filme, que traça a saga de uma família e também de um período, tanto difícil como épico da história recente. Nzinga, de Octavio Bezerra, trabalha com uma trama simples na qual a personagem título, uma mestiça interpretada por Thais Araújo, busca suas raízes africanas. A trama é um pretexto para um caminho etnográfico pela música brasileira de raiz afro, talvez a nossa raiz cultural mais profunda. Também um bonito filme. Ambos, Três Irmãos de Sangue e Nzinga, feitos por brasileiros que não se envergonham do Brasil, como tantos sabichões por aí.

Os dois serão repetidos em outros dias e horários.

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