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Documentários em Veneza (1): Carlo Lizzani

Luiz Zanin Oricchio

04 de setembro de 2007 | 18h48

VENEZA – O festival prevê uma seção só de documentários, a Orizzonti Doc, mas estou tendo pouco tempo para vê-los, pois me concentro mais na competitiva do Leão de Ouro, Venezia 64. Mas encontrei um tempinho para ver dois deles e não me arrependi. O primeiro foi Viaggio in Corso nel Cinema di Carlo Lizzani, de Francesca del Sete. Aqui se trata de um doc mais convencional, que reconstitui (de maneira não cronológica) a vida desse importante diretor do cinema italiano, que trabalhou com os grandes mestres como Rossellini, Fellini, Antonioni, e acabou obscurecido por eles. Certo, Lizzani não está no patamar dos gênios, mas tem obra consistente. E filma até hoje. Acabou de lançar aqui em Veneza, fora de concurso, seu Hotel Meina, sobre o Holocausto.

Lizzani também acabou de lançar seu livro de memórias Il Mio Lungo Viaggio nel Secolo Breve, usando, como se vê a nomenclatura de Eric Hobsbawm para o século 20. Século breve, que começa com a primeira guerra e termina com a dissolução da União Soviética: de 1914 a 1991. Referências de comunista para comunista. Estou lendo aos poucos, nos minutos de tempo livre que me restam nessa maratona. Quando terminar conto mais para vocês. Estou gostando. Prosa lúcida, de quem lutou contra o fascismo na Resistência e sempre soube o que queria da vida. O fato de ter perdido batalhas políticas não o tornou amargo ou improdutivo. E, acima de tudo, não o empurrou para o outro lado como talvez lhe mandasse a conveniência, mas não a ética.

Do outro documentário falo depois e se trata de Useless, de Jia Zhang-Ke, a atual sensação do cinema chinês, e vencedor do Leão de Ouro do ano passado com Em Busca da Vida.

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