Direitos Humanos
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Direitos Humanos

Luiz Zanin Oricchio

06 de outubro de 2008 | 16h13

feliz

Deserto Feliz, longa-metragem comercialmente inédito de Paulo Caldas, abre a terceira edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Além de São Paulo, a mostra se realiza em outras 11 capitais brasileiras – Curitiba, Salvador, Fortaleza, Brasília, Teresina, Rio, Recife, Porto Alegre, Belém, Belo Horizonte e Goiânia (para conferir datas e programação, ver site oficial do evento: www.cinedireitoshumanos.org.br). Em São Paulo, as sessões serão no CineSesc e na Sala Cinemateca, com ingresso gratuito.

O evento relembra os 60 anos de aniversário da Declaração dos Direitos Humanos e comenta lateralmente, pelos filmes indicados, como a sua aplicação ainda está longe de ser “universal”, como seu nome diz. Assim, a maior parte das obras escolhidas é de denúncia e faz alusão justamente a violações aos direitos fundamentais da pessoa humana.

São os casos do filme de Paulo Caldas, que abre a mostra, e também de vários dos participantes, como O Aborto dos Outros, de Carla Gallo, em cartaz em São Paulo, Sonhos Distantes, do peruano Alejandro Legaspi, ou A Vendedora de Rosas, de Victor Gaviria, da Colômbia. Aliás, boa parte do melhor cinema que se fez e se faz no subcontinente latino-americano escolhe por tema o desrespeito aos direitos humanos. O que parece absolutamente normal e inevitável, dada a condição de carência social desses países.

Isso se constata já no filme de abertura, o belíssimo Deserto Feliz, que participou de alguns festivais, mas ainda não encontrou brecha para estrear no restrito mercado exibidor brasileiro. Caldas (parceiro de Lírio Ferreira em Baile Perfumado e autor do documentário O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas) aborda de maneira dura o abuso sexual contra meninas que, depois, só terão como opção o trabalho como prostitutas. Jéssica é a garota do interior nordestino que, vendo a família destruída, segue para Recife e passa a sobreviver do turismo sexual. O interessante é que Jéssica tira a sorte grande, sonho de toda garota de programa, mas mesmo assim não encontra a felicidade. O filme tematiza as ilusões recorrentes de encontrar fora do Brasil o que por aqui parece impossível de realizar.

Vale destacar também a Retrospectiva histórica, que traz alguns clássicos do cinema latino-americano. Os Esquecidos (1950), de Luis Buñuel, Tire Dié (1960), de Fernando Birri, e Couro de Gato (1961), de Joaquim Pedro de Andrade são três filmes que têm, como temática de fundo, a infância desassistida. Couro de Gato, por exemplo, procura mostrar como, na infância pobre, o espaço lúdico costuma ser invadido pela dura realidade. O que é outra das violações freqüentes a um direito humano fundamental: o de sonhar.

Abaixo, a programação:

3.ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul

Cinemateca – 3ª (7), 15h, Pivete, de Lucila Meirelles e Geraldo Anhaia Mell, Vam? Pra Disneylândia, de Nelson Xavier, A Vendedora de Rosas, de Victor Gaviria; 17h15, Cidade de Papel, de Claudia Sepúlveda; 19h15, Marco Universal, de vários diretores; 21h15, Tire Dié, de Fernando Birri, Crônica de um Menino Só, de Leonardo Favio.

Cinemateca. Lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, tel. 3512-6111. Grátis

Cinesesc – 3ª (7), 20h, Oficina Perdiz (2006), de Marcelo Diaz, Dia de Festa, de Toni Venturi e Pablo Georgieff.

Cinesesc. R. Augusta, 2.075, 3087-0500. Grátis. Até 12/10. Abertura hoje (6), para convidados, com o filme Deserto Feliz, 20h30.
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