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Direito de Amar

Luiz Zanin Oricchio

05 de março de 2010 | 12h14

Direito de Amar (horrível título para A Single Man), de Tom Ford, concorreu em Veneza e rendeu a Colin Firth uma merecida estatueta de melhor ator. Ele é o que o filme tem de melhor, em termos de contenção e sobriedade. Chega até a destoar do clima fashion imposto pela direção. Aliás, nem era preciso saber que Tom Ford é um dos papas contemporâneos da moda para adivinhar a profissão daquele senhor elegante que fazia sua estreia como diretor do cinema no Lido. O filme, de certa forma, fala por si.

Firth faz o professor de literatura George Falconer, que acaba de perder o companheiro após relação de 16 anos. A ideia seria mostrar o processo de luto, com o personagem dividido entre a tentação de se matar e o impulso de retomar a vida e seguir adiante. O que se vê é a longa jornada de um homem disposto a viver seu último dia. No entanto, nunca se viu candidato a suicida mais bem arrumado, sem um fio de cabelo em desalinho, ternos de corte impecável, gravatas as de grife, tudo perfeito.

O que se pode dizer é que Falconer, disposto a morrer, tenha escolhido fazê-lo com bom gosto. Mas é inegável que tanto apuro esfria o filme.