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Dino Risi (1916-2008)

Luiz Zanin Oricchio

08 de junho de 2008 | 22h03

Foi-se Dino Risi, aos 91 anos.

Ao se avaliar a obra de Dino, a primeira coisa a evitar é chamá-lo de diretor da comédia à italiana. Sim, Dino de fato dirigiu comédias italianas, mas, quando acertava a mão, ia muito além do gênero.

Uma delas está no altar de minha devoção – Il Sorpasso, com Vittorio Gassman e Jean-Louis Trintignant, que aqui no Brasil se chamou Aquele que Sabe Viver. Há muita graça nesse filme, que pretendo rever antes de dormir em homenagem a Dino; mas há também muita melancolia, corrosão, sentido crítico em relação àquela Itália pequeno-burguesa que saía da derrota na Segunda Guerra. Vejam esse filme, com urgência. Mas Dino tinha muito mais como o intrigante Venha Dormir lá em Casa esta Noite, Monstros e Os Novos Monstros. E essa maravilha que se chama Perfume de Mulher, depois refilmado nos Estados Unidos.

Risi tinha senso de humor, e isso é tudo na vida. Um jornal italiano, acho que o Corriere della Sera, foi repercutir com ele as mortes simultâneas de Bergman e Antonioni. Respondeu: “Espero que a minha vez demore um pouquinho, porque com a morte desses dois a minha seria noticiada no rodapé do jornal”. E lhe perguntaram sobre o cinema de Antonioni. Risi: “Michelanagelo é um gênio, fui ver O Eclipse e confesso que dei uma bela dormida”.

Grande Dino, devemos tanto a ele…

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