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Diário do Recife 2011: Família Vende Tudo

Luiz Zanin Oricchio

04 de maio de 2011 | 10h20

RECIFE – Com Família Vende Tudo, Alain Fresnot tenta fazer o que chama de comédia dramática. Ou drama cômico. Tanto faz. A ideia, talvez, fosse trazer para essa distopia ética da família brasileira (ou de uma certa família) um sabor agridoce das comédias italianas da época de ouro.

A história é de uma família de periferia, individada e problemática. A mulher (Vera Holtz) é muambeira, e perde o capital numa operação de fiscalização na volta do Paraguai. O marido (Lima Duarte) tem de pagar uma dívida. Um dos filhos é um jovem aspirante a pastor protestante. A esperança da família passa a residir em Lindinha (Marisol Ribeiro), seu maior capital. O plano é jogá-la nos braços de um cantor brega (Caco Ciocler), casado com uma perua conformada (Luana Piovani). É o chamado golpe da barriga, em que a gravidez de uma menor de idade exige reparação (financeira) e, no melhor dos casos, um casamento.

Quando lhe perguntam sobre a amoralidade dos personagens, Fresnot se defende: “A Vera Holtz disse que eu estava até pegando leve; em excursões com sua peça pelo interior ela testemunhou como as mães costumam empurra suas filhas para cima de celebridades sem o menor pudor”, diz.

Dado o tema, Fresnot poderia optar por vários meios de expressão. A comédia, de tons exagerados, foi a possibilidade escolhida. Há um começo de bom ritmo, que depois vai caindo e se torna irregular. Alterna bons momentos com outros previsíveis. Não faz um pastel politicamente correto, como costuma acontecer com as comédias brasileiras, mas também não encontra um jeito de tirar seus personagens da armadura de estereótipos. Procura um mix de comédia de costumes com crítica social corrosiva, mas não consegue aprofundar nada. Saímos do filme do mesmo tamanho que entramos. A plateia do Cine Teatro Guararapes riu  e curtiu. Não se sabe se seu lucro foi além do prazer momentâneo.

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